Centenas de japoneses protestam por conta da decapitação de jornalista

Autoridades japonesas consideram 'altamente provável' que o vídeo que registra a morte do jornalista seja verdadeiro

Por O Dia

Tóquio - Centenas de pessoas realizaram neste domingo um protesto em Tóquio contra as políticas do primeiro-ministro Shinzo Abe em relação ao caso do jornalista japonês decapitado pelo Estado Islâmico, Kenji Goto. Em um dos cartazes era possível ler: "É culpa sua, Abe".

Após a divulgação das imagens, Abe anunciou que o Japão terá "tolerância zero" com o terrorismo e trabalhará em estreito contato com a comunidade internacional. "Estou indignado com o ato imoral e atroz de terrorismo", declarou.

Uma mulher segura um cartaz com a foto de Kenji Goto na frente da residência oficial do primeiro-ministroReuters

O EI prometeu executar Goto e o piloto jordaniano Muath al-Kaseasbeh caso o Japão e a Jordânia não cumprissem as exigências de resgate, que se referem a uma troca de reféns com terrorista iraquiana Sajida al-Rishawi, presa por Amã. Antes, os jihadistas tinham pedido US$ 200 milhões ao governo japonês.

O grupo jihadista difundiu no sábado dia 31, supostas imagens da decapitação do refém japonês. O vídeo de mais de 1 minuto mostra Goto usando um macacão laranja, assim como os demais reféns decapitados pelo grupo até o momento.

Ele é decapitado pelo homem que foi identificado como John, que manda mensagem ao governo japonês dizendo que eles não "compreenderam que estamos sedentos de seu sangue".

A mãe da vítima, Junko Ishido, expressou seu descontentamento e disse "não conseguir encontrar as palavras" para manifestar sua dor. "Espero que saibam que Kenji era um homem atento e valente", concluiu.

Japão considera 'muito provável' que vídeo de decapitação seja autêntico

O governo do Japão considerou "muito provável" que o vídeo publicado na internet pelo Estado Islâmico (EI) mostrando o corpo decapitado do jornalista japonês Kenji Goto seja autêntico, disse neste domingo o ministro porta-voz, Yoshihide Suga.

Ao ser perguntado em entrevista coletiva se o Executivo considera que o corpo decapitado que aparece nas imagens é o de Goto, Suga declarou que, "levando em conta a análise realizada pela equipe científica da Agência Nacional de Polícia, é muito provável que seja autêntico".

Suga insistiu também em que o Executivo não teve contato direto com o Estado Islâmico, que exigia a libertação da extremista iraquiana Sajida al Rishawi, condenada à morte na Jordânia, em troca de entregar Goto, detido desde outubro, e o piloto jordaniano Moaz Kasasbeh, em poder do EI na Síria desde dezembro.


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