Por clarissa.sardenberg

Coreia do Norte - Uma mulher sentenciada a um campo de trabalho forçado em Songpyong,na Coreia do Norte revelou em entrevista para a Anistia Internacional as condições desumanas do cotidiano local e suas desesperadas tentativas por sobrevivência dentro do campo. Ji-hyun Park conta que presenciou plataformas de trens repletas de cadáveres, era obrigada a limpar banheiros imundos com as próprias mãos e que, famintas, as pessoas eram obrigadas a comer ratos.

"A realidade é inexplicavelmente ruim. Você pode dizer que a Corei do Norte inteira é uma grande prisão", declarou a mulher sobre o campo Chongjin. Ji-hyun foi obrigada a passar um ano no local após ser deportada da China quando autoridades descobriram suas origens. Ela havia fugido para sobreviver a fome.

"As pessoas estão famintas e agora não há ao menos ratos, cobras ou plantas para que se alimentem", disse Ji-hyun. "Nossso dia de trabalho começava às 4:30 da manhã, sem termos nada para comer", contou. "Trabalhávamos mais duro que animais. Em dias mais longos de verão, trabalhávamos até às 21h", disse.

Ji-hyun foi dispensada pelo governo da Coreia do Norte de campo de trabalho forçado após contrair tétanoReprodução Youtube

"Eles não querem que você veja e é exatamente por isso que você deveria ver", declarou Ji-hyun sobre a entrevista que deu. Ela contou que quando se alimentavam após o trabalho, tinham que ir "refletir sobre sua performance durante o dia", aprender os "princípios dos trabalhadores" até a meia-noite.

A entrevista divulgada em vídeo pela Anistia Internacional foi chamada de "A outra entrevista" em referência à comédia "A Entrevista" lançada pela Sony Pictures. No polêmico filme da Sony, dois produtores de TV são recrutados pela CIA para matar o líder norte-coreano Kim Jong-un. A Coreia do Norte classificou a produção como "um ato de guerra".

"Muitas pessoas morreram entre 1996 e 1998. As plataformas de trem estam lotadas de corpos", disse Ji-hyun. Estima-se que quatro milhões de pessoas tenham morrido no país no final dos anos 90, época em que Ji-hyun fugiu do país. Qualquer pesso que fosse presa tentando deixar o país era enviada aos campos e nunca mais vista.

Ji-hyun foi forçada a casar na China pra não ser deportada, mas acabou sendo separada do filho e marido. Após contrair tétano na perna, ela foi considerada "inútil para o regime" e dispensada do campo de trabalho forçado pelas autoridades. Ela voltou para China e reencontrou o filho e através de seu futuro marido conseguiu entrar na Mongólia. Hoje ela vive em Manchester, na Inglaterra, e tem mais três filhos.



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