Por felipe.martins

Rio - Formados por pacientes de hospitais psiquiátricos da cidade, os blocos Loucura Suburbana e Tá Pirando, Pirado, Pirou vão passear neste Carnaval com enredos e fantasias criados pelos foliões. Muito mais que a diversão, os desfiles geram efeitos positivos no tratamento de distúrbios mentais.

Segundo o psiquiatra Hugo Fagundes, os blocos ajudam na recuperação dos pacientes ao inseri-los num evento do qual a maioria das pessoas participa. O superintendente de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde ressalta que os portadores de problemas psiquiátricos costumam ter medo de se relacionar, com receio de passarem por constrangimento. “Quando os colocamos para lidar com o próximo, eles percebem que são mais um no conjunto. Nada como uma festa que mobiliza multidões para reinseri-los na sociedade.

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Eles perdem o medo de interagir com o outro, e se sentem amados e acolhidos. Isso é terapêutico”, elogia.O psiquiatra afirma que não há evidências de que uma atividade cultural pode atingir diretamente os neurônios ou o sistema nervoso. “Falamos de um plano mais intangível mesmo. É importante que compartilhem suas experiências com os outros”, diz.

Inseridos na sociedade, os pacientes ficam mais estimulados a continuar o tratamento e a tomar os remédios, de acordo com a psicóloga Erínia Belchior. “Eles veem que podem manter uma vida boa por meio do tratamento, e que têm a possibilidade de exercer qualquer atividade, de acordo com suas habilidades. Eles percebem que os seus trabalhos podem ser valorizados”, acrescenta a especialista do núcleo de Saúde Mental da SMS.

Com o samba ‘Sou Louco, Sim, Também Sou Bonito’, o Tá Pirando, Pirado, Pirou, sai amanhã na Urca. Já o Loucura Suburbana, além da apresentação na quinta-feira, no Engenho de Dentro, vai abrir o Desfile das Campeãs, dia 21, no Sambódromo, numa ala da escola de samba Embaixadores da Alegria, formada por pessoas portadoras de necessidades especiais.

Apesar de os blocos serem organizados pelos institutos municipais Phillipe Pinel e Nise da Silveira, todas as pesoas podem participar. “Todos são cidadãos. Promovemos uma reunião da diversidade”, ressalta Erínia.

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