Por victor.duarte

Argentina - O governo argentino voltou a defender nesta terça-feira sua tese inicial de que a morte do promotor Alberto Nisman foi suicídio, hipótese que tinha abandonado depois de a própria presidente Cristina Kirchner colocar em dúvida que ele teria tirado a própria vida. "A primeira hipótese com a qual contamos é o suicídio", disse nesta terça-feira o secretário-geral da presidência, Aníbal Fernández, que assegurou ainda que a denúncia de Nisman contra a presidente e outros funcionários por acobertamento de terroristas foi algo a que o promotor foi induzido.

Nisman, que investigava o atentado contra a associação mutual israelita Amia, que em 1994 matou 85 mortos em Buenos Aires, foi encontrado morto em sua casa com um disparo na cabeça em 18 de janeiro, quatro dias após ter apresentado a denúncia contra Cristina e outros funcionários do governo. "Fizeram o promotor assinar um bodoque (coisa mal feita)", disse, nesta terça-feira, Aníbal Fernández em referência à denúncia.

Nisman enviara mensagens otimistas e Cristina fez desabafo em redeEfe

"É muito difícil crer que um homem que conhece o Direito não se desse conta que seria objeto de críticas de seus próprios colegas", acrescentou. Fernández ainda insistiu na versão defendida pelo governo segundo a qual o promotor era dirigido em suas investigações pelo ex-chefe de operações da Secretaria de Inteligência Antonio "Jaime" Stiuso, que foi deslocado pelo governo no final de 2014 e apontado como o instigador de uma manobra contra o Executivo que incluiria a morte de Nisman. "O que nos damos conta nestas coisas quando se trabalha com alguém é sobre quem é comandante e quem é comandado; eu sentia que o comandante era Stiuso e o comandado era o doutor Nisman", afirmou Fernández.

Quanto à causa da morte de Nisman, Fernández declarou que a promotora a cargo da investigação, Viviana Fein, disse "até agora o projétil, a bainha e a pistola encontrados no banheiro são a mesma coisa". "Também nos disse que não há indicação que o promotor tenha se defendido ou tenha sido atacado e nem que o corpo foi arrastado, por isso tenho que sustentar que a primeira hipótese com a qual contamos é o suicídio", insistiu.

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