Por paulo.lima

Ucrânia - Rebeldes pró-Rússia bombardearam tropas do governo cercadas no leste da Ucrânia nesta terça-feira, e o plano para que os dois lados retirassem o seu armamento pesado não foi executado, deixando um frágil acordo de paz perto do colapso. Uma testemunha perto da linha de frente afirmou que a artilharia atingiu a cidade de Debaltseve a cada cinco segundos, levantando uma fumaça preta, apesar da trégua que reduziu os confrontos em muitas regiões desde que o acordo negociado pelos europeus começou no domingo.

Conflitos entre rebeldes pró-Rússia e tropas do governo comprometem tratado de pazReuters


Os rebeldes declararam que eles haviam capturado partes de Debaltseve, que fica numa junção ferroviária estratégica, e que alguns soldados ucranianos haviam se rendido, mas Kiev nega. “No momento, há uma confronto duro nos arredores da cidade. Há combates ao redor da estação. Nossas forças estão mantendo as suas posições, e elas estão completamente no direito de abrir fogo em resposta”, disse Andriy Lysenko, porta-voz militar da Ucrânia.

A esperança de que o acordo firmado na última quinta-feira terminaria com um conflito que já matou mais de 5.000 pessoas sempre foi reduzida, depois que um avanço rebelde em janeiro terminou com um cessar-fogo anterior. No entanto, a intensidade dos combates em Debaltseve não era esperada e aumentam as preocupações de Kiev e do Ocidente de que os separatistas e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, querem consolidar os recentes ganhos rebeldes, antes que a paz seja implementada.

Caminhões militares e tanques se movimentavam na bastante destruída vila de Nikishine, ao mesmo tempo que os rebeldes atacavam a próxima Debaltseve com foguetes, artilharia pesada e morteiros. A fumaça cobria Debaltseve, cuja população em tempos de paz é 25 mil habitantes, que há semanas sofre com os confrontos.

A expectativa é que observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa tentassem chegar à cidade cercada, depois que a Alemanha disse ter acordado com os líderes da Rússia e Ucrânia para que os monitores tivessem acesso livre no leste.

No entanto, um novo chamado de Berlim pela paz e pela retirada do armamento pesado, como programado, a partir desta terça, parece não ter sido ouvido. "Não temos o direito (de parar a luta em Debaltseve). É uma questão moral. É território interno”, disse Denis Pushilin, representante dos separatistas, estabelecendo o objetivo de “destruir as posições de combate do inimigo”.

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