Por clarissa.sardenberg

Estados Unidos - Cientistas podem ter descoberto o motivo da maconha causar "larica" (no dicionário, fome causada pelo uso da erva) em seus usuários. Um estudo feito pela Universidade de Yale descobriu que após o consumo da erva o cérebro recebe o contrário da mensagem "você está cheio, pare de comer", normalmente reconhecida pelo sitema neurológico. "A maconha engana o sistema de alimentação do cérebro", relatou o neurocientista Tamas Horvath em entrevista à CBC News.

O fato de usuários de maconha buscarem por lanches e doces após consumo da erva é até piada em diversos filmes e seriados, mas até agora ninguém sabia ao certo o motivo disto acontecer.

Um pesquisa envolve o aumento na percepção sensorial; em 2014, neurocientistas europeus relacionaram que o ativo canabidiol, presente na maconha, afetava o centro olfativo no cérebro de camundongos. Em resultado, os animais passaram a sentir melhor o cheiro da comida, o que pode estimular o apetite. No entanto, isso ainda não explicava o apelo para alimentos sem muito aroma.

Fila de espera para entrar na loja Cannabis City%2C em Seattle, nos EUA, no fim do ano passadoReuters

No estudo de Yale, cientistas se concentraram em moléculas chamadas receptores canabinóides que ligam e ativam no cérebro de ratos e homens. Para a surpresa dos pesquisadores, um comportamento diferente foi descoberto: os neurônios passaram a emitir endorfina ao invés de usuais sinais para suprimir o apetite. A endorfina viaja até o centro de controle de apetite e estimula o desejo de comer.

"Neurônios que normalmente suprimem a fome, ao invés disso promovem o apetite, até mesmo se o camundongo estiver alimentado", declarou Horvath. Contudo, o cérebro não é enganado em favor de qualquer alimento: mecanismos criam o desejo por comida altamente calórica, como salgadinhos e doces.

O estudo indica que esse é mais um benefício para o uso de maconha medicinal, já que ela pode aumentar o apetite em pacientes com câncer ou outros que perderam o desejo de comer.

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