Por bferreira

Rio - Você reclama que a vida é dura, mas será que dispensaria a chance de prolongar sua existência? Saiba que tornar-se um ‘centenário enxuto’, de uns 150 anos, não é situação tão hipotética. A Ciência já estuda meios de aumentar a vida humana com novas pílulas e mudanças radicais na dieta.

Não se trata de passar cremes que evitam rugas ou de comer mais linhaça no café da manhã. Essa semana, foi divulgada pesquisa que desenvolve novo medicamento, o senolítico, que age nas células. Em testes com camundongos, ele já mostrou-se capaz de retardar o envelhecimento. O fármaco também melhorou as funções cardiovasculares e evitou problemas na coluna e osteoporose.

Outro estudo, da Universidade do Texas, descobriu que ratos vivem quase duas vezes mais quando têm rapamicina adicionada à ração. A substância reduz a atividade de uma proteína relacionada ao envelhecimento. As cobaias começaram os testes aos 20 meses (o equivalente a 60 anos em humanos) e viveram até 48 meses, quando a média de vida delas é de 27. Transferindo o avanço para um ser humano, uma pessoa poderia viver até os 142 anos.

Tarso Mosci, geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia da seção Rio, acredita que, com o avanço do conhecimento, será possível interferir no mecanismo de envelhecimento humano. “Não é para confundir estética com longevidade. Estamos falando de uma mudança mais profunda, com manipulação genética, por exemplo. Se for feito de modo correto e ético, será difícil ter uma justificativa para dizer não”, aponta.

O especialista lembra que não adianta viver mais 20 anos sem sair da cama. Para ele, a nova ‘pílula’ da longevidade deve preservar todas as áreas do corpo, mas ressalta que, para ter qualidade de vida, é importante manter saudáveis ossos e músculos (para garantir independência e locomoção); cognição e coração. “Hoje já existem impressoras, com cartuchos de células, que imprimem órgãos artificiais. Isso também poderia atuar na longevidade”.

Se o corpo estará em dia, a tendência é que a saúde mental também esteja. Segundo Anita Liberalesso Neri, psicóloga e professora da Unicamp, estudos mostram que quem cruza a barreira dos cem anos é mais otimista, esperançoso, tolerante e tem bons relacionamentos.

EFEITO RÁPIDO

Os benefícios da rapamicina não se restringem ao aumento dos anos vividos. Pesquisas apontam que os animais mantiveram a vida ativa, tinham o pelo brilhante e boa saúde cardíaca e hepática. Além disso, foi detectado menor risco de câncer. A substância, descoberta no solo da Ilha de Páscoa, no Chile, teve efeito mesmo quando administrada a cobaias já idosas. Ou seja, não precisaria ser ingerida ao longo de toda a vida.

Já outra técnica ainda em estudo deve ser feita durante toda vida para ter efeito. Trata-se da restrição calórica na dieta. Um estudo publicado na revista médica ‘New England Journal of Medicine’ mostra que quanto menos calorias ingeridas, mais viveram ratos e primatas. Em relação a este método, o geriatra Tarso apresenta ressalvas. “É complicado transferir isso para o ser humano. Qual mãe alimentaria o filho com menos calorias? Além disso, pode haver comprometimento no tamanho e no desenvolvimento da pessoa”, alerta.

Enquanto os estudos não saem das bancadas de laboratório para as prateleiras da farmácia, o especialista recomenda os tradicionais bons hábitos alimentares, além da prática de exercícios. “Os bons hábitos pesam mais do que a genética na longevidade”.

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