Berlusconi diz que pagou para mulheres que iam a suas festas por 'altruísmo'

Segundo cálculos de promotores, 20 jovens receberam cerca de 1,7 milhão de euros desde 2010

Por O Dia

Itália - O ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi afirmou que o dinheiro com o qual manteve economicamente durante vários anos mulheres que participavam de suas festas era uma iniciativa pessoal "generosa e altruísta". Assim descreveu em uma carta que foi enviada a cada uma das cerca de 20 jovens em dezembro de 2013 para explicá-las que seus advogados recomendavam interromper o envio de dinheiro. As cartas foram publicadas nesta terça-feira nos meios de comunicação italianos.

Ex-premiê italiano Sílvio Berlusconi Reuters

"Neste ponto meus advogados, bem que compreendendo a generosidade e o altruísmo da minha iniciativa, convidam-me com absoluta determinação a não continuar com o apoio econômico mensal", afirma Berlusconi. E isso "porque minha ajuda poderia ser atribuída à aceitação com uma finalidade diferente da autêntica. Por estas razões me vejo obrigado a suspender desde janeiro qualquer contribuição", acrescenta o político conservador.

O conteúdo desta carta foi revelado depois que a imprensa italiana informou no fim de semana passado que Berlusconi pagou para essas mulheres que participavam de suas conhecidas festas cerca de dois milhões e meio de euros durante mais de três anos.

Segundo o jornal "La Repubblica" publicou no último sábado, a Promotoria de Milão informou que a renda das jovens procedia "de modo direto ou indireto" unicamente de Berlusconi. Em conjunto, segundo seus cálculos, 20 jovens receberam desde 2010 e durante os três anos sucessivos ingressos de cerca de 1,7 milhão de euros e nos primeiros meses de 2014 quase 400 mil euros, além casas e um apartamento.

A carta 

O conteúdo da carta divulgada nesta terça vem a confirmar essas informações e nela Berlusconi se dirige às jovens carinhosamente. "Querida, já deve ter chegado a seu conhecimento que há algumas semanas estão depositadas as motivações relacionadas com os incríveis processos sobre os jantares em minha casa". "É inútil dizer que não há nenhuma consideração nem contigo e nem com outros convidados de nossos jantares e que continua sobre nós a denigração infame que todos tivemos que sofrer de maneira absurda", acrescenta. E reconhece abertamente o dinheiro que deu às mulheres.

"Mas é mais, a ajuda que, seguindo o impulso da minha consciência, continuei dando a você e a todos os outros convidados para atenuar os efeitos da devastação que estes processos causaram a vossa imagem, vossa dignidade, vossa vida, corre o risco de ser instrumentalizada de maneira incrível".

Carta foi revelada após Berlusconi ser absolvido por incitação à prostituição de menores no 'Caso Ruby' Reprodução Internet/Reuters

Na carta, o ex-primeiro-ministro da Itália diz que tem certeza que as jovens estão a par "dos ataques contra mim desde uma magistratura militante que faz um uso político da Justiça para eliminar o único obstáculo que resistiu e resiste à definitiva tomada do poder por parte da esquerda".

"Esta é a Itália de hoje. Uma Itália sem Justiça, onde para tê-la é preciso se dirigir ao Tribunal Europeu de Estrasburgo, como estou fazendo, para corrigir a absurda e indigna sentença de 1 de agosto", acrescenta Berlusconi em relação ao caso Mediaset, pelo qual foi condenado por fraude fiscal. "Lamento, lamento tanto. Espero, quando acabe o processo, possa voltar a vê-la e abraçá-la. Te quero. Silvio", conclui a carta.

A carta foi revelada uma semana depois que a Corte Suprema confirmou a absolvição em apelação de Berlusconi por suposto abuso de poder e incitação à prostituição de menores no "Caso Ruby". O Supremo confirmou assim a sentença de absolvição ditada em segunda instância pelo Tribunal de Apelação de Milão em julho de 2014 e apelada pela Promotoria dessa cidade em novembro. Mas sobre Berlusconi ainda pesa a inabilitação política durante seis anos aplicada em 2013, por isso que pretende ir ao Tribunal de Estrasburgo para tentar provar ser ilegal a retroatividade com a qual foi aplicada a lei que impôs essa proibição.

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