Por karilayn.areias
Publicado 21/03/2015 22:26 | Atualizado 21/03/2015 22:31

Rio - A deficiência veio para mostrar como o mundo é bonito fora da perspectiva da normalidade. A frase, do advogado Gonzalo de Alencar Lopez, 33 anos, é uma lição diária para ele e a mulher. Há dois anos, o casal teve o primeiro filho, Gabriel, que nasceu com Síndrome de Down. Em março, mês dedicado à questão, diversas iniciativas estão marcadas para informar a população e orientar os responsáveis.

Gabriel%2C 2 anos%2C ensinou aos pais%2C Gonzalo e Roberta%2C que está grávida%2C como ver o mundo de maneira diferente e alegreAndré Luiz Mello

Ser pai de primeira viagem de um filho com Down não foi simples, afirma Gonzalo. Ele e a esposa, a advogada, Roberta Castro, 29, só descobriram depois do parto e precisaram, rapidamente, aprender tudo sobre a síndrome para estimular o desenvolvimento de Gabriel. Roberta está grávida de sete meses do segundo filho. “A pessoa com deficiência tem plena capacidade de se inserir na sociedade. Quero que o Gabriel seja independente e frequente faculdade, se quiser”, declara Gonzalo, que é membro do Movimento Down, que realiza ações para pessoas com a síndrome e orienta os pais.

Incluir pessoas como Gabriel no mercado de trabalho não traz benefícios apenas para quem tem a síndrome, mas também para as empresas. É o que mostra levantamento em países como Brasil, Canadá, Espanha e Estados Unidos liderado pelo Projeto Outro Olhar, que cuida de questões sobre a síndrome, dentro do Instituto Alana. Participaram mais de 2 mil funcionários que trabalham com pessoas com Down e, para 83% deles, a presença dos que têm a síndrome melhora a empresa e deixa o chefe mais capacitado para resolver problemas.

“O chefe passa a ser menos impositivo, percebe que precisa falar diferente com quem tem a síndrome e acaba reproduzindo esse comportamento com os outros funcionários. Desperta uma sensibilidade nas pessoas e isso se reflete em toda empresa”, explica Cláudia Moreira, coordenadora do Projeto Outro Olhar.

Para ajudar responsáveis que não têm acesso à internet e aumentar a divulgação de informações sobre a síndrome, o Movimento Down lançou a ‘Rede de Ativadores’. Segundo a coordenadora de comunicação do movimento, Estefania Lima, a iniciativa já conta com cem pessoas em oito estados (Rio, São Paulo, Pará, Paraíba, Bahia, Santa Catarina, Minas Gerais e Distrito Federal). Este ano, a missão dos ativadores é percorrer unidades de saúde, como maternidades, para explicar particularidades da síndrome e entregar cartilhas explicativas aos usuários. A previsão é que em 2016 a rede esteja em todo país. “Com a rede, chegamos a locais que não chegávamos antes, só com o site. Levamos informações a quem precisa”, comemora.

Caminhada e palestra

Dia 21 de março é celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Down, no Brasil. Hoje, às 9h, haverá a ‘Caminhadown’, em Ipanema, com o tema ‘Inclusão: dever e direito de todos’. O ponto de encontro é em frente ao Hotel Fasano.

Também hoje, será realizado o show musical ‘Don’t let me Down’, às 16h, no CMRMC Artur da Távola, na Tijuca. No dia 28, das 8h às 18h, será oferecida palestra sobre o ensino de matemática para crianças com Síndrome de Down, no Colégio Pedro II de São Cristóvão. Nesse mesmo dia, em Friburgo, haverá um piquenique, às 9h, no Parque Aquático do Country Clube.

Você pode gostar