Impedido de casar, rapaz mata a noiva e 13 parentes

Polícia está à caça de paquistanês de 25 anos que fuzilou pais, sogros e outros parentes, dele e da moça. ‘Crimes de honra’ contra mulheres não são raros na região

Por O Dia

Paquistão - A polícia do Paquistão está à procura de um jovem que matou 14 pessoas após não ter obtido permissão para se casar com uma moça numa cidade do noroeste do país. Somente no domingo, ele fuzilou a noiva, os sogros e outros sete parentes dela. No fim do ano passado, ele já havia matado seus próprios pais, seu irmão e também a cunhada.

Identificado como Gul Ahmad Saeed, de 25 anos, ele teria atirado domingo após parte da família da noiva se opor novamente ao casamento. Ele teve ajuda de cúmplices na matança, informaram policiais ontem. A gota d’água para o jovem teria ocorrido depois que um tio da noiva demonstrou dúvidas sobre a permissão para o matrimônio. “O tio estava bastante indeciso sobre o casamento, o que enfureceu Gul Ahmad”, disse o oficial Mohammad Jamil a agências de notícias.

Polícia fez segurança durante enterros e crê que assassino tenha se escondido em área fora de sua jurisdição Reprodução

Gul Ahmad Saeed estava foragido há seis meses, após as primeiras quatro mortes. No fim de semana, voltou a sua cidade, com o objetivo de continuar sua vingança. A polícia busca o rapaz e seus comparsas, mas acredita que se refugiaram na região semiautônoma e conservadora de Pashtun, na fronteira com o Afeganistão, onde o governo do Paquistão tem pouco alcance e as autoridades policiais não têm sequer permissão legal para atuar. “Não podemos seguir ninguém até lá, porque está além de nossa jurisdição e nossa segurança estaria sob ameaça”, disse Jamil.

Mulheres paquistanesas frequentemente são assassinadas por homens que se sentem ofendidos por recusas de casamento e outros motivos. A Comissão Paquistanesa de Direitos Humanos estima que, somente no decorrer do ano de 2013, 869 mulheres foram vítimas do crime conhecido como ‘morte por honra’. Os assassinatos cometidos por Saeed ocorreram numa região profundamente conservadora, onde as mulheres são desencorajadas a frequentar escolas e universidades e têm poucas opções quando o assunto é casamento. Por lutar contra o desrespeito aos direitos de meninas e mulheres, a paquistanesa Malala Yousafzai, hoje com 18 anos, foi baleada na cabeça em 2012, aos 15, por talibãs. Ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz e atualmente vive em Londres.


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