Por bferreira

Rio - Mesmo com o término do verão, estação em que os mosquitos da dengue costumam se proliferar mais, o carioca não pode relaxar no combate ao inseto. O número de casos da doença subiu quase 185% de fevereiro para março. Um dos motivos é a alta incidência de chuvas nas últimas semanas.

Recipientes com água devem ser esvaziados e lavados com esponjaErnesto Carriço / Agência O Dia

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, em março deste ano foram 526 infectados, contra 185 em fevereiro e 131 em janeiro, totalizando 842 casos no ano. Em 2014, a maioria dos registros ocorreu nos primeiros dois meses (780). Em março, foram 274.

Secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz aponta que o número este ano está dentro do esperado para o mês de março e lembra que, nesta época, já é comum a capital registrar mais casos — 2014 foi um ano “atípico”, segundo ele. O secretário alerta que abril também deve contabilizar números mais altos, mas que, com a redução das temperaturas, a tendência é a queda nas infecções.

Para Denise Valle, pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz, uma das explicações são as chuvas que, este ano, demoraram mais. Outro motivo para o aumento, diz ela, pode ter sido o risco de crise no abastecimento de água no estado. “Isso pode ter estimulado o armazenamento de água em recipientes dentro das casas e a formação de criadouros”.

Soranz lembra que em 2008, por exemplo, quando epidemia de dengue atingiu a cidade, foram 45 mil infectados em março. “Estávamos esperando cerca de 600 casos em março deste ano. As pessoas estão mais conscientes em relação aos criadouros do mosquito, mas não podem descansar”. Este ano não houve mortes pela doença no Rio. Segundo Soranz, há um óbito suspeito em investigação de uma pessoa que veio de São Paulo e faleceu na capital. Em 2014, foram duas mortes.

Estado de alerta no Rio

O último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (Liraa) da cidade do Rio, feito em março, revela que a capital continua em estado de alerta para a dengue, com índice de 1,5% — a cada mil imóveis vistoriados, 15 tinham focos do mosquito. Em janeiro a taxa era de 1,1%. O maior Liraa da cidade está na região de Madureira (1,7%). Depósitos fixos, como tanques em obras, borracharias, calhas e lajes foram os locais que mais apresentaram focos do Aedes.

De acordo com Denise, não basta eliminar a água do criadouro. É preciso também passar uma esponja na região para matar os ovos do mosquito. “Os ovos podem sobreviver em local seco por até um ano. Bastará uma chuva para que virem larvas e mosquitos”, alerta, acrescentando que há casos em que os insetos já nascem infectados pelo vírus da dengue.

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