Por bferreira

Panamá - A presidenta Dilma Rousseff se reuniu ontem no Panamá, durante a Cúpula das Américas, com o criador e presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, convidado dos 35 chefes de Estado e governo das Américas presentes no evento. Foi anunciada parceria para levar internet gratuita à população brasileira de baixa renda. O acesso será limitado a alguns serviços que o governo vai disponibilizar na área de saúde e educação, por exemplo. A parceria ainda será detalhada e o anúncio formal vai ser feito em junho, no Brasil, quando Zuckerberg virá ao país.

Dilma e Zuckerberg passaram cerca de uma hora conversando sobre a parceria. Ele disse estar animadoReuters

“A partir de agora, vamos começar a desenvolver estudos em comum, até desenhar um projeto comum com o objetivo da inclusão digital”, disse a presidenta. “Isso vai permitir ampliar o acesso à educação, à saúde, à cultura e tecnologia”, completou. O Governo Federal e o Facebook utilizarão como ponto de partida projeto que a empresa desenvolve em Heliópolis, região carente de São Paulo. “Estamos muito empolgados com essa parceria, e ampliar o acesso à internet permite avançar em diferentes áreas, como economia moderna, emprego, educação e comunicação”, disse Zuckerberg.

Primeiro, a iniciativa levaria o serviço a regiões do Brasil onde já há infraestrutura pronta para o acesso à rede. Depois, a novidade englobaria áreas mais remotas do Brasil, onde ainda falta a estrutura necessária. 

“Consideramos que o Facebook é um dos grandes produtos que geraram revolução, similar ao que aconteceu com a energia, quando o mundo todo foi iluminado”, acrescentou Dilma.

Também ontem, em mesa de debate com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e outros líderes, Dilma disse que é importante que os governos combatam a corrupção e garantam que o dinheiro público beneficie o povo. O tema da mesa era o desafio de ampliar o acesso à internet de banda larga. Dilma citou a aprovação do novo Marco Civil da Internet e citou o Portal da Transparência, de prestação de contas do governo.

Na agenda da presidenta brasileira para hoje está previsto um encontro dela com Obama. A relação do Brasil com os Estados Unidos está abalada desde a divulgação de informações de que ela fora espionada por agência americana. Na reunião não deve haver pedido de desculpas de Obama. A Casa Branca já disse que parou de espionar Dilma e o Brasil se deu por satisfeito.

Na noite de quinta, ela disse em entrevista ao serviço em espanhol da CNN que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) tem “interesse absoluto” em que a Venezuela liberte presos políticos. O país é palco há um ano de crise entre governo e a oposição. O presidente Nicolás Maduro emitiu ordens de prisão para os principais líderes opositores, acusando-os de incitar o povo à violência em manifestações.

Raúl Castro e Obama juntos

Um aperto de mãos histórico, que não ocorre há quase 60 anos, é aguardado para hoje: o dos presidentes de Cuba e Estados Unidos. O americano Barack Obama e o cubano Raúl Castro se encontrarão na Cidade do Panamá, durante a Cúpula das Américas, dando início às negociações para a retomada das relações diplomáticas entre os dois países, cortadas desde a Revolução Cubana, em janeiro de 1959.

Na noite de quinta-feira, Obama e Raúl chegaram a conversar por telefone, após chegarem ao Panamá. Um assessor da Casa Branca disse que os líderes provavelmente manterão conversa hoje. “Claro que prevemos que haja uma oportunidade para que se vejam durante a cúpula. Esperamos que tenham uma reunião à margem do fórum”, afirmou Ben Rhodes, assessor de Obama.

A última vez que os dois presidentes falaram por telefone foi em 17 de dezembro, quando anunciaram ao mundo seu acordo para restabelecer suas relações, após mais de cinco décadas de tensões.

A grande expectativa é que Obama anuncie a retirada de Cuba da lista de Estados que apoiam o terrorismo. Com isso, a Ilha tem chances de se inserir no mercado internacional. Sair desta ‘lista negra’ é a principal reivindicação de Cuba nas negociações para o total restabelecimento das relações diplomáticas com os Estados Unidos, que inclui a abertura de embaixadas em Washington e Havana.

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