Por vinicius.amparo

Panamá - O presidente de Cuba, Raúl Castro, elogiou neste sábado os passos dados pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para tirar a ilha de sua lista de países patrocinadores do terrorismo. O discurso foi feito durante a 7ª Cúpula das Américas, que está sendo realizada na Cidade do Panamá.

"Aprecio como um passo positivo sua recente declaração de que decidirá rapidamente sobre a presença de Cuba em uma lista de países patrocinadores do terrorismo na qual nunca deveria ter estado", disse Castro em seu discurso na VII Cúpula das Américas, da qual seu país participa pela primeira vez.

Raúl Castro disse ainda que Obama "não é responsável pelos dez presidentes que o precederam". Ele ainda afirmou que "aplaude a corajosa decisão" de Obama de querer melhorar as relações entre os países, mas diz que "a Venezuela não é ameaça aos EUA".

Momento histórico de reconciliação entre os presidentes dos Estados Unidos e Cuba durante a 7ª Cúpula das AméricasEFE

O líder cubano reiterou a Obama a disposição de Cuba ao "diálogo respeitoso e à convivência civilizada" com os Estados Unidos "dentro de nossas profundas diferenças".

O presidente cubano também qualificou o líder dos EUA como "honesto" e lhe pediu desculpas por sua emotividade em sua "defesa da revolução". 

Durante seu discurso, o presidente dos Estados Unidos confirmou que solicitou ao Congresso norte-americano a suspensão do embargo econômico a Cuba.

"Queremos restabelecer as relações diplomáticas. Já solicitei ao Congresso que comece a trabalhar para suspender o embargo vigente há décadas. Vamos olhar para o futuro. Não estou interessado em combater batalhas que iniciaram antes do meu nascimento. A Guerra Fria acabou há muito tempo", destacou.

Citando a primeira participação de Cuba no evento, Obama ressaltou que essa é "uma ocasião histórica" para o continente.

Além disso, o mandatário informou que os Estados Unidos irão liberar US$ 1 bilhão para ajudar no crescimento da América do Sul para "enfrentar o problema da pobreza e da injustiça".

Primeiro encontro desde bloqueio

O encontro oficial entre Obama e Castro está marcado para este sábado durante a primeira reunião formal de um presidente em exercício americano com um par cubano desde que Dwight Eisenhower se sentou com Fulgencio Batista em 1958.

A reaproximação histórica entre os dois rivais deve dominar as atenções na Cúpula das Américas, quatro meses depois de Washington e Havana terem anunciado os primeiros passos da dos esforços para reatar laços diplomáticos e comerciais.

Dilma

A presidenta Dilma elogiou a aproximação entre os dois países. “Celebramos aqui agora a iniciativa corajosa dos presidentes Raúl Castro e Barack Obama de restabelecer relações entre Cuba e Estados Unidos, de pôr fim a este último vestígio da Guerra Fria na região que tantos prejuízos nos trouxe. [...]Os dois presidentes deram uma prova do quanto se pode avançar quando aceitamos os ensinamentos da História e deixamos de lado preconceitos e antagonismos que tanto afetaram nossas sociedades”, afirmou.

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