Por bferreira

Rio - O drama de crianças que precisam de canabidiol (CBD) para tratamento de epilepsia segue sem final feliz. Apesar da liberação do componente da maconha pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as dificuldades para ter o CBD persistem, relatam parentes e defensores do uso da droga para fins medicinais.

Margarete%2C 42%2C importa CBD para a filha%2C Sofia%2C 6%2C há um ano. Gastos extras são absurdos e prazos%2C longosDivulgação

Em janeiro, a Agência incluiu o canabidiol na lista de substâncias sob controle especial, prometendo menos barreiras à importação. Mas Margarete Brito, 42 anos, que importa CBD há um ano para a filha Sofia, 6, diz que nada mudou. “Depois de toda pressão que fizemos, a Anvisa nos deu um ‘cala a boca’. O processo segue caro e lento”, conta ela, que é presidente da Associação de Pacientes de Epilepsia.

O problema é a composição do produto. Extratos de maconha têm 1% de tetrahidrocanabinol (THC), substância proibida. Com isso, o produto segue sendo retido pelas autoridades alfandegárias do país, exigindo viagens e gastos extras. “O material chega a Campinas e é preciso ir lá ou pagar um despachante. Já houve caso da cobrança para fazer a retirada chegar a custar R$ 11 mil”, diz Margarete. 

Para Tarso Araújo, coordenador da campanha Repense, a solução é simplificar o processo de importação e liberar também o THC no Brasil. “Há mais estudos científicos comprovando a eficácia do THC do que do canabidiol. A situação criada pela Anvisa é inconsistente”, diz.

Apesar dos clamores, a Anvisa não planeja reclassificar o THC. Mas analisa o registro do extrato Sativex, que contém a substância. O produto teve prioridade concedida em 13 de fevereiro, mas ainda não há data para a conclusão dos estudos.

A permissão para produção do extrato à base de canabidiol no país é o primeiro passo rumo a um objetivo maior, afirma Tarso Araújo. Ele defende a liberação do cultivo de maconha por empresas e pessoas físicas para fins medicinais.

A medida possibilitará que famílias de renda mais baixa comprem o remédio. “Importar custa R$ 1.500. Esse preço pode cair para R$ 200. Só 430 crianças usam CBD hoje, apesar de mais de 600 mil terem epilepsia. Temos de aumentar esse número”, afirma.

Reportagem de Pedro Muxfeldt

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