Por bferreira

Nigéria - Manifestantes saíram às ruas de Abuja, capital da Nigéria, ontem, para pedir a libertação das 219 meninas sequestradas em escola da cidade de Chibok pelo grupo terrorista Boko Haram. O protesto aconteceu no dia em que o crime, que causou comoção internacional, completou um ano. Outras partes do mundo também foram palco de demonstrações de solidariedade.

Vestidas de vermelho, 219 jovens mulheres caminharam até a sede do Ministério da Educação carregando cartazes com os nomes de todas as garotas ainda desaparecidas e gritando “tragam de volta nossas garotas agora e vivas”, slogan da campanha que correu o mundo em abril do ano passado.

“Pedimos ao governo que priorize o resgate de nossas irmãs e assegure o acesso de todos à educação na Nigéria”, afirmou Rebecca Ishaku, que participou da passeata. Hoje, 10,5 milhões de crianças nigerianas estão fora da escola, taxa mais alta em todo o mundo.

Ainda esperançosos de reencontrar as meninas, os manifestantes receberam uma má notícia do presidente eleito do país, Muhammadu Buhari. “Não sabemos se vamos poder resgatá-las ou mesmo onde estão. Não posso prometer que elas serão encontradas, mas faremos de tudo para isso”, disse ele, que vai tomar posse do cargo no dia 29 de março.

Também ontem, uma mulher contou à rede de TV inglesa BBC ter visto mais de 50 das garotas sequestradas em uma casa na cidade de Gwoza, no Nordeste do país, há três semanas.

Segundo ela, que teve sua identidade preservada, as meninas vestiam trajes islâmicos e eram escoltadas por militantes da organização. A conversão ao Islamismo é uma das práticas do Boko Haram com meninas sequestradas, que também são vítimas de abuso sexual.

Outra mulher ouvida pela BBC garantiu ter visto o grupo em novembro. “Elas limpam e cozinham para os homens e estavam com o cabelo raspado”, apontou.

Cidades fazem homenagens

Cidades ao redor do mundo também abrigaram protestos pelas meninas de Chibok. Em Paris, 40 pessoas se reuniram em frente à Torre Eiffel. Já o Empire State, prédio símbolo de Nova York, recebeu luz vermelha em solidariedade às nigerianas.

Prêmio Nobel da Paz, a jovem paquistanesa Malala Yousafzai divulgou carta aberta endereçada às meninas. “Sonho com o dia em que poderei abraçar cada uma de vocês”, escreveu. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que “o mundo não pode esquecer as garotas de Chibok”.

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