Por bferreira

Rio - Gordinhos, porém ‘atletas’. Mais da metade dos cariocas (54%) está acima do peso e quase 20% são obesos. Por outro lado, 38% dos moradores da cidade fazem atividade física no tempo livre. É o que mostra levantamento do Ministério da Saúde, divulgado ontem.

Veja dados da pesquisaReprodução

As taxas da cidade estão acima da média nacional. No país, 52,5% estão com quilos a mais e 17,9% sofrem de obesidade. Ainda de acordo com o estudo, a silhueta do brasileiro só aumenta com o passar dos anos: de 2006 a 2014, a taxa de sobrepeso subiu 23%. Em relação à idade, os jovens (18 a 24 anos) são os que registram as melhores taxas, com 38%, enquanto as pessoas de 45 a 64 anos ultrapassam 61%. O número de pessoas obesas tem se mantido estável.

O Ministério da Saúde alerta que o excesso de peso é um dos fatores de risco para doenças crônicas, como a hipertensão, que respondem por 72% dos óbitos no Brasil. E a alimentação do brasileiro não colabora para combater esse tipo de mal. Ao todo 15,6% das pessoas afirmam ter consumo alto ou muito alto de sal nos alimentos e 52% ingerem leite com alto teor de gordura.

A boa notícia entre os brasileiros é que o percentual de indivíduos que fazem exercícios físicos — pelo menos 150 minutos por semana — subiu de 30% para 35% entre 2006 e 2014. Além disso, o índice de pessoas que passam mais de três horas em frente à TV caiu de 31% para 25,3% no mesmo período.

Para o ministro da Saúde, Arthur Chioro, se não tivesse ocorrido a melhora no índice de exercícios, as taxas de sobrepeso e obesidade poderiam ter aumentado. “A sociedade industrializada mexe nos hábitos alimentares e coloca cada vez mais uma situação alimentar preocupante. Há uma tendência avassaladora de crescimento da obesidade e do sobrepeso como um problema de saúde pública mundial”, disse.

Os números são da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que coletou informações em todas as capitais.

Exercícios são fundamentais

Pesquisa do Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz, mostrou que mesmo sem mudanças na dieta, os exercícios físicos podem reverter o aumento da pressão arterial e das taxas de colesterol e açúcar no sangue. Durante três meses, ratos com alterações no organismo se exercitaram na esteira, uma hora por dia, cinco vezes na semana.

As cobaias mantiveram a dieta rica em calorias. Entre os animais sedentários, a taxa de gordura corporal era de 60%. Já entre os ativos, o índice foi de 40%, bem próximo ao encontrado em ratos com boa alimentação (30%). Níveis de glicose e insulina também se tornaram semelhantes aos de animais saudáveis. “Mesmo quando não conseguem manter a dieta recomendada, as pessoas podem realizar o exercício e obter benefícios”, ressalta o coordenador da pesquisa, Eduardo Tibiriçá.

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