Por bferreira

Rio - Quem pretende perder peso deve se preocupar mais com a alimentação do que fazer exercícios físicos regularmente. Essa é a conclusão de artigo assinado por três pesquisadores da Inglaterra, Estados Unidos e África do Sul publicado quarta-feira na revista científica ‘British Journal for Sports Medicine’. O texto causou polêmica entre especialistas e divide opiniões.

Comidas industrializadas fazem aumentar risco de doenças ligadas à obesidade, segundo pesquisadoresDivulgação

Segundo o trio, atividades físicas reduzem em até 30% o risco de câncer, doenças cardíacas e diabetes tipo 2. Contudo, o combate à obesidade e todos os males associados ao excesso de peso só é possível com uma dieta livre de açúcar e carboidratos. “Uma dieta pobre causa mais doenças do que o sedentarismo, álcool e cigarro juntos”, diz o artigo.

O grupo de médicos aponta que a “falsa percepção” de que a inatividade física é a responsável pela obesidade é promovida por cadeias de fast food e marcas de refrigerantes. “A máquina de propaganda da indústria de alimentos confunde o público ao custo de milhões de vidas. Não é possível suprir uma alimentação ruim com exercícios”, argumentam.

Os profissionais também criticam celebridades que anunciam refrigerantes e, ao mesmo tempo, academias e clubes que vendem produtos não-saudáveis.

O artigo não foi bem recebido por parte dos especialistas em nutrição e obesidade e associações médicas. Para Catherine Collins, da Associação de Nutricionistas da Inglaterra, o trio utilizou “evidências incompletas”.

Já a Federação Britânica de Comidas e Bebidas defendeu a combinação entre alimentação balanceada e prática de esportes como receita contra a obesidade. “Os benefícios da atividade física não são uma conspiração. Para se ter uma vida saudável é preciso comer melhor e se mexer mais”, disse o diretor da Federação, Ian Wright, ao jornal inglês ‘The Guardian’.

Sucos de lata e refrigerantes na lista negra

Além de apontar a falta de relação entre sedentarismo e obesidade, o artigo do trio de especialistas aponta o fast food e bebidas com excesso de açúçar, casos de refrigerantes e sucos industrializados, como os maiores vilões da saúde humana.

“A cada 150 gramas a mais de açúçar, ou seja, uma lata de refrigerante ingerido, os riscos de diabetes tipo 2 aumentam em até 11 vezes independente do peso ou nível de atividade física da pessoa”, alertam os médicos.

Em outra opinião polêmica, o trio defende um alto consumo de gorduras para atletas ou quem deseja se exercitar regularmente.

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