Por paulo.gomes
Hiperidrose axilar incomoda o próprio portador e quem está pertoIstock

Rio - Método alternativo de tratamento da hiperidrose axilar – doença que causa transpiração excessiva nas axilas – está sendo realizado pela primeira vez no Brasil. A curetagem e aspiração glandular consiste na retirada das glândulas sudoríparas (responsáveis pelo suor), em procedimento semelhante ao da lipoaspiração, com anestesia local.

A técnica é mais simples do que outros tratamentos disponíveis, como o por botox (que é muito caro) e pela simpatectomia (cirurgia que exige anestesia geral). Não há sangramento nem necessidade de internação, e a recuperação é em cerca de uma semana. A produção de suor em outras partes do corpo não é afetada.

A iniciativa é fruto de parceria entre Flávio Luz, presidente da Sociedade de Dermatologia do Rio de Janeiro, e a dermatologista Rebeca Maffra Rezende, do Hospital Universitário da UFF (Universidade Federal Fluminense). “É mais barata, mais eficaz, tem menos efeitos colaterais e é mais segura”, garante Flávio. O método já é utilizado no Brasil, mas de maneira pouco uniforme. “Percebi que não existia produção científica nacional. O principal objetivo é padronizar a técnica”, afirma.

O método não é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nem por planos de saúde. Segundo o Ministério da Saúde, para acrescentar novos procedimentos é preciso comprovar sua evidência clínica consolidada, sua eficiência e seu custo-efetividade.

Doença afeta convívio social

Suar excessivamente causa transtornos na vida social. “Atrapalha muito. Era uma situação muito desagradável”, conta a professora Lívia Durval, 21 anos, que tinha a doença desde criança. Ela foi um dos oito pacientes que participaram da pesquisa. “Todos ficaram extremamente satisfeitos”, garante Flávio.

Para Lívia, o problema pode levar seus portadores à depressão. Ela foi encaminhada ao Hospital Universitário Antônio Pedro, da UFF. Lá, descobriu sobre a pesquisa, e decidiu participar. Ela também tem hiperidrose palmar (nas mãos) e plantar (nós pés), mas somente a axilar foi tratada. Foram poucos os efeitos colaterais. “No pós-operatório, tive um pouco de dormência e desconforto”, diz.

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