EUA expõem documentos de Bin Laden e mostram suas prioridades antes de sua morte

Documentos secretos divulgam que líder da Al-Qaeda preparava o filho mais novo para sucedê-lo. Bin Laden orientou ainda simpatizantes a priorizarem ataques contra os EUA

Por O Dia

EUA - O governo dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira centenas de documentos, alguns secretos até agora, que foram encontrados no complexo paquistanês em que o então líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, se escondia quando foi morto pelas forças especiais americanas em 2011. O Escritório do Diretor Nacional de Inteligência (ODNI) explicou em comunicado que a publicação deste material responde ao pedido do presidente dos EUA, Barack Obama, de "aumentar a transparência" sobre questões relacionadas à segurança nacional.

O material contém 103 documentos, a maioria cartas à familiares e outras trocadas por Bin Laden com outros líderes da Al Qaeda. Além disso, no complexo da cidade paquistanesa de Abbottabad, onde o líder terrorista se escondia, também foram encontrados arquivos digitais em inglês, entre eles vários textos do filósofo e linguista Noam Chomsky, e documentos do governo americano, além de guias de videogames.

Osama bin Laden morreu depois de ser considerado procurado pelos EUA por mais de uma décadaReprodução Internet

Os documentos apontaram ainda que o líder terrorista preparava o filho mais novo, Hamza, para sucedê-lo e que orientou simpatizantes a priorizarem ataques contra os EUA.

A desclassificação de todo este material foi feita apenas alguns dias depois de ser publicada uma reportagem do jornalista Seymour Hersh, que afirma que Obama mentiu sobre a morte de Bin Laden. Segundo Obama, a operação das forças especiais dos Navy Seal de 1º de maio de 2011 contra o complexo onde Bin Laden se escondia foi realizado unilateralmente e em segredo.

Já Hersh sustentou em sua investigação, baseada em revelações de um alto oficial da inteligência americana que já está na reserva, que a inteligência paquistanesa (ISI) tinha capturado Bin Laden e o escondia em Abbottabad com a intenção de entregá-lo quando o ponto essencial fosse mais conveniente para Islamabad. De acordo com seu relato, tachado de "falso" pela Casa Branca, o governo americano soube da presença de Bin Laden a partir da revelação de um membro do ISI que buscava a recompensa de US$ 25 milhões oferecida por Washington pelo líder terrorista.

O presidente do Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes, o republicano Devin Nunes, destacou em comunicado que esta divulgação do material sobre a operação contra Bin Laden é "um passo na direção correta". Enquanto isso, a ODNI indicou que revisará "centenas de documentos" adicionais para sua possível desclassificação e divulgação.

"Todos aqueles documentos cuja publicação não prejudicarão as operações em desenvolvimento contra a Al-Qaeda serão divulgados", antecipou a ODNI.

Com informações da EFE

Últimas de _legado_Mundo e Ciência