Migrantes lutam por comida a bordo de barco

Briga entre refugiados de Mianmar e Bangladesh deixa pelo menos cem mortos

Por O Dia

Indonésia - Pelo menos cem pessoas morreram em confrontos por alimento a bordo de barco à deriva na costa da Indonésia, na Ásia. As armas usadas foram machados, facas e barras de metal. As lutas foram entre rohingyas (minoria muçulmana que foge de perseguição) de Mianmar e migrantes de Bangladesh, segundo sobreviventes.

Integrantes da minoria Rohingya morrem no marEfe

A violência teve início quando a água e a comida começaram a acabar, segundo refugiados que foram resgatados, muitos com marcas de espancamento. Vários deles se salvaram porque se jogaram na água e foram socorridos por pescadores locais.

O governo da Indonésia, porém, não permite a entrada dessa população no país. Por isso, eles são encaminhados para um acampamento. Alguns sobreviventes, que estão entre os três mil rohingyas e bengaleses que chegaram nas últimas semanas à Indonésia, citaram até 200 mortos.

Pelo menos quatro mil imigrantes estão ‘presos’ há mais de 40 dias a bordo de vários navios ao longo da costa birmanesa, com o risco de serem vítimas de violência e fome, alertou ontem o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

As Filipinas sinalizaram que poderiam receber os milhares de imigrantes. É o primeiro país a oferecer abrigo depois da recusa das nações vizinhas, como Indonésia, Tailândia e Malásia

O destino incerto desses exilados de Bangladesh ou Mianmar, que tentam fugir da miséria ou das perseguições étnicas em seus países, é parecido com o drama de migrantes africanos que tentam chegar à Europa pelo Mar Mediterrâneo.

“Nós estimamos que cerca de quatro mil pessoas de Mianmar e Bangladesh continuam ilhadas no mar com diminuição de suprimentos a bordo. Relatos não confirmados sugerem que o número poderia ser maior”, informou o porta-voz do Acnur, Adrian Edwards.

No sudeste asiático, esta fuga de pessoas de Bangladesh e Mianmar acontece há vários anos, mas nas últimas semanas se tornou mais dramática, depois que as autoridades passaram a se recusar a receber os grupos de refugiados. Este países alegam que não têm recursos para lidar com a crise migratória, e por isso não têm permitido a entrada de algumas embarcações.

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