Irmãos fazem experiência para verificar efeitos da bebida alcoólica no corpo

Ao longo da análise, eles perceberam que teriam problemas graves de saúde

Por O Dia

Rio - Ingerir algumas doses de bebida alcoólica todos os dias ou deixar para tomar um ‘porre’ apenas no sábado à noite? Experimento documentado pela rede BBC, feito por dois médicos britânicos, irmãos gêmeos, mostrou que as duas alternativas afetam igualmente a concentração, geram dependência e danificam o fígado.

Durante um mês, o infectologista Chris Rulleken tomou 250 ml de vinho todas as noites — o equivalente a três copos diários. Enquanto isso, Alexander Rulleken optou por beber a mesma quantidade que a de seu irmão, mas com as 21 doses semanais concentradas aos sábados. No início, os doutores ficaram ‘empolgados’ com a ideia de beber com frequência. Mas, ao longo da análise, os médicos perceberam que teriam problemas graves de saúde.

Chris piorou o rendimento no trabalho e sentiu necessidade de continuar tomando o líquido. Alexander sofreu de fortes ressacas no dia seguinte à bebedeira. “Até um certo ponto, eu estava me divertindo ao ver o Alexander ficar cada vez mais incoerente. Mas quando eu comecei a pensar no que o álcool estava fazendo com o cérebro, o fígado e o coração dele, não foi nada engraçado”, contou Chris ao programa BBC Horizon, o qual exibiu uma edição especial sobre o experimento.

Durante os 30 dias, ambos foram monitorados de perto, com testes que iam de simples bafômetros a exames detalhados sobre toxinas na corrente sanguínea.

Mesmo bebendo em doses espaçadas, sem ficar bêbado, Chris teve seu fígado danificado assim como o seu irmão, que se embriagou. Além disso, os exames mostraram que o fígado de Alexander não se recuperava de um sábado para o outro. “Os resultados dos testes foram surpreendentes”, disse Chris.

Fígado não aguenta

Como os irmãos médicos detectaram na experiência, o consumo exagerado de álcool sobrecarrega o fígado, mesmo se for dividido em menores doses, diariamente, confirma a endocrinologista Renata Sacramento. A especialista do Hospital São Vicente de Paulo explica que esse problema faz com que o órgão não metabolize o álcool de forma correta.

Além da falta de concentração e dos problemas no fígado, Renata conta que pode haver o surgimento de outras patologias, como insuficiência renal e hemorragias gastrointestinais, e também de mudanças de comportamento, como cansaço e alteração de humor. “O álcool deve ser ingerido com limites e em paralelo a uma boa alimentação e hidratação”, sugere.

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