Por bferreira

Inglaterra - Usuárias de anticoncepcionais mais modernos precisam ficar atentas: elas têm quatro vezes mais chance de desenvolver trombose venosa — formação de coágulos nos vasos sanguíneos — em relação às mulheres que não usam nenhum contraceptivo oral. O estudo, da Universidade de Nottingham, Inglaterra, mostrou ainda que as novas fórmulas não são mais seguras do que pílulas antigas.

Na pesquisa, cientistas relacionaram o uso de anticoncepcionais ao surgimento da trombose em mulheres entre 15 e 49 anos, por meio de dados médicos. Os pesquisadores perceberam que a chance de desenvolver o problema quase duplica (é 1,5 a 1,8 superior) em usuárias de medicamentos recentes, em relação a quem ingere os antigos.

A cada grupo de 10 mil pacientes pesquisadas, surgiram 14 casos de trombose entre mulheres que usaram medicamentos com fórmulas mais novas. Já entre aquelas que tomaram as pílulas mais antigas, seis a cada 10 mil tiveram a doença venosa. A composição do fármaco mais recente inclui nova formulação do estrogênio — um dos hormônios que compõem a pílula —, como drospirenona, desogestrel, gestodeno e ciproterona.

O ginecologista Luiz Fernando Dale explica que os anticoncepcionais podem aumentar a produção de coágulos nos vasos sanguíneos, gerando mais riscos do aparecimento de trombose venosa. “Atualmente, as pílulas reúnem menos hormônios do que as antigas. Mas não é a quantidade deles que interfere no aparecimento de trombose, e, sim, o tipo de composto que está na fórmula do contraceptivo. Os que existem nos medicamentos hoje provocam o aumento do número de coágulos”, confirma o médico.

Doença que interfere na circulação sanguínea, a trombose venosa pode gerar sintomas como inchaços, além de vermelhidão, dor e ardência, principalmente nos membros inferiores do corpo — pés e pernas.

Exames prévios são necessários

Segundo o ginecologista Marcos Arcader, as mulheres precisam passar por avaliação médica quando forem tomar pílulas, para checar se correm risco de trombose. “E quem já tiver a doença, precisa parar de tomar anticoncepcionais e procurar outro método”, destaca. O especialista do Hospital Adventista Silvestre ressalta que fumantes e obesas estão mais expostas. “Elas já têm maior problema de circulação, e isso pode ser intensificado com os contraceptivos”, diz o especialista.

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