Por clarissa.sardenberg

Inglaterra - Pela primeira vez no mundo, uma mulher deu à luz um bebê gerado com a ajuda de um ovário congelado quando ela ainda era criança. O órgão da jovem, hoje com 27 anos, foi removido e preservado quando ela tinha 13, antes de entrar na puberdade.

O parto aconteceu em novembro de 2014, e o caso foi divulgado nesta quarta-feira pela revista ‘Human Reproduction’, da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia. No mundo, há pelo menos 35 nascimentos após este tipo de auto-enxerto, mas todos foram retirados de adultas. Esta foi a primeira vez que a técnica foi aplicada numa paciente que ainda não havia menstruado e que, por isso, não tinha ovários maduros.

A mulher, que mora na Bélgica mas nasceu na República do Congo, foi diagnosticada com anemia falciforme aos 5 anos. O tratamento incluiu transplante de medula e, para não haver rejeição, ela precisou se submeter a quimioterapia para desativar o sistema imunológico. Como esse tipo de terapia afeta os ovários e pode levar à infertilidade, médicos decidiram congelar fragmentos do órgão antes.

Cientistas da Clínica Primordia Medicina Reprodutiva%2C no Rio de Janeiro%2C analisam um embrião Divulgação

Aos 25 anos, a mulher expressou o desejo de engravidar e os médicos descongelaram parte do tecido ovariano e reimplantaram quatro fragmentos no ovário esquerdo. Com o material, a jovem voltou a produzir ovócitos maduros. Mas, na época, ela descobriu que o parceiro era infértil, o que adiou ainda mais o projeto de ter um bebê. Mais de dois anos após o transplante, a mulher engravidou, naturalmente, com um novo parceiro, e deu à luz um menino saudável (3.140 quilos).

.


Opção em caso de câncer

Ginecologista belga que conduziu o tratamento da jovem, Isabelle Demeestere disse que, após o resultado, a esperança é que outras mulheres com risco de falência ovariana sejam beneficiadas. “O sucesso está atrelado a mais pesquisas com meninas no período pré-puberdade, já que a nossa paciente estava nessa fase”.

Isaac Yadid, da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, explica que o ovário é sensível à quimioterapia e que o dano pode ser irreversível. No Brasil, muitas mulheres com câncer optam por congelar os óvulos antes de passarem pelo tratamento.

Você pode gostar