Médico polonês que se negou a realizar aborto por razões de fé é absolvido

Bogdan Chazan argumentou que, como católico praticante, reprovava tal ação

Por O Dia

Varsóvia - O médico polonês Bogdan Chazan, que há um ano rejeitou praticar um aborto alegando razões de fé, foi absolvido nesta sexta-feira pelo comitê disciplinar que julgou o caso, ao estimar que a recusa do médico "não justifica denúncias por má prática no tratamento aos pacientes".

No verão de 2014, Chazan foi substituído de seu cargo à frente do hospital da Sagrada Família de Varsóvia por sua recusa a praticar um aborto respaldado pelos supostos contemplados pela lei polonesa, já que tratava-se de um caso de má-formação do feto. Chazan, um destacado professor de ginecologia, alegou então a cláusula de consciência e argumentou que, como católico praticante, reprovava o aborto.

Então, o Ministério polonês de Saúde considerou que Chazan tinha vulnerado a norma da prática médica porque, ao rejeitar realizar o aborto, teria que ter facilitado à paciente um médico ou um centro alternativo onde poderia interromper sua gravidez. O então primeiro-ministro, o liberal Donald Tusk, afirmou que "nenhum médico deveria estar acima da Lei".

Nesta sexta-feira, o médico assegurou à imprensa que exigirá às autoridades que lhe restituam em seu posto de diretor do hospital. "Sofri uma pena muito dura (a demissão) e considero que não foi nem razoável nem justa", disse Chazan, que acrescentou que a decisão do comitê disciplinar o faz recuperar a "fé na justiça".

Após a polêmica levantada por Chazan, mais de três mil médicos e enfermeiras poloneses assinaram uma declaração na qual defendiam seu direito em negar tratamentos contrários a suas crenças religiosas. O movimento católico tomou força na Polônia com opiniões como a da doutora Wanda Poltawska, amiga do falecido João Paulo II, para quem "a medicina atual representa o mal".

"Aborto, inseminação artificial e, finalmente, rejeitar Deus como o criador mediante à prática da fecundação in vitro representam uma ameaça para a vida eterna de todas as pessoas que cometem estes atos", afirmou Poltawska.


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