Asma ainda não tem tratamento adequado no Brasil

Estudo aponta que sintomas da doença só estão inteiramente controlados para 9% dos pacientes

Por O Dia

Rio - Pesquisa realizada em quatro capitais do Brasil, entre elas o Rio de Janeiro, mostrou que apenas 9,3% das pessoas que sofrem de asma têm a doença inteiramente controlada. Os dados são da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Amanhã é o Dia Nacional de Combate à Asma, mal que atinge cerca de 20 milhões de brasileiros. Ainda segundo o estudo, a enfermidade está parcialmente controlada para 56,5% dos pacientes, e não controlada para 34,3%. Os pesquisadores analisaram 400 pessoas em São Paulo, Salvador, Curitiba e Rio.

A pesquisa usou parâmetros estabelecidos pela GINA (organização mundial que enfrenta a doença), que analisam o uso de medicação, a qualidade do sono e interrupções na rotina do paciente. “Se o paciente não apresenta nada, está controlado”, explica Angela Honda, médica do ambulatório de reabilitação da disciplina de Pneumologia da Escola Paulista de Medicina da Unifesp. “Quando o paciente começa a apresentar esses problemas, está controlado parcialmente. A asma não controlada é quando os sintomas ficam mais graves”, destaca.

Apesar de negativos, os números não foram uma surpresa. “Os dados ficaram muito próximos do que já tínhamos”, aponta a pneumologista. Os índices também são próximos de outros países da América Latina.

Uma das causas é a falta de conhecimento: 50% dos asmáticos não são tratados. Angela relata que isso acontece porque, muitas vezes, os sintomas aparecem na infância, mas somem logo depois, e a pessoa acha que foi apenas uma infecção. “Tem um período que melhora, mas a crise pode voltar na vida adulta”, alerta.

Júlio Rodrigues, pneumologista do Centro de Medicina Nuclear da Guanabara (CMNG), acrescenta outros motivos de confusão. “Muitas vezes a doença é confundida com gripes ou resfriados”, afirma. Outros fatores são a falta de acesso a serviços de saúde de qualidade e até a negação de alguns pacientes, que preferem não acreditar nos exames.

Muitos asmáticos também têm problemas porque acham que, por não apresentarem sintomas constantes, não precisam tomar remédios. “Só procuram quando têm crise”, lamenta Angela.

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