Ministro das Finanças grego se demite para ajudar negociações com credores

População da Grécia votou de modo esmagador em apoio ao governo, para que rejeite medidas de austeridade

Por O Dia

Grécia - O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, renunciou nesta segunda-feira, removendo um importante obstáculo para qualquer acordo que vise manter o país na zona do euro, depois que os gregos votaram de modo esmagador em apoio ao governo para que rejeite os termos de um pacote de ajuda vinculado a novas medidas de austeridade.

Ele disse esperar que seu sucessor seja Euclid Tsakalotos, atual porta-voz e coordenador da equipe grega de negociação com credores. Tsakalotos é doutor pela Universidade de Oxford e foi o braço direito de Varoufakis durante as negociações.

Varoufakis, um economista que se declara um “marxista errático” e enfureceu os parceiros da zona do euro com o seu estilo pouco convencional e afirmações intimidadoras, fez campanha pelo “Não” no referendo de domingo, acusando os credores da Grécia de "terrorismo".

"Eu estava ciente de uma certa" preferência "por parte de alguns participantes do Eurogrupo, e vários parceiros, pela minha... 'ausência' de suas reuniões; uma ideia que o primeiro-ministro considerou potencialmente útil para ele chegar a um acordo", disse Varoufakis em comunicado.

Yanis Varoufakis renunciou ao cargo de Ministro das Finanças da GréciaReuters

Seu sacrifício, depois de prometer aos gregos que iria conseguir um acordo melhor um dia depois do estrondoso “Não” na consulta popular, indica que o primeiro-ministro Alexis Tsipras, de esquerda, está determinado a tentar chegar a um compromisso de última hora com os líderes europeus.

Opinião internacional

O governo russo confirmou que o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, telefonou nesta segunda-feira para o presidente do país, Vladimir Putin, para informá-lo sobre a situação pós-referendo. De acordo com o Kremlin, o mandatário "apoiou o povo grego para superar as dificuldades". "Tsipras informou Putin sobre a situação da Grécia e afirmou que as negociações com os credores europeus prosseguirão", ressaltou o conselheiro diplomático da Presidência, Yuri Ushakov.

O ministro das Finanças austríaco, Hans Joerg Schelling, disse em voz alta o que muitos colegas têm sussurrado em particular: que espera que as negociações com a Grécia se tornem mais fáceis com a partida de Varoufakis.

Manifestantes comemoraram a vitória do ‘Não’ na praça Syntagma%2C com bandeiras e palavras de ordemReuters

Para conseguir qualquer novo acordo, a Grécia terá de superar a desconfiança dos parceiros, sobretudo a Alemanha, o maior credor do país e maior economia da União Europeia, onde a opinião pública assumiu uma posição dura em favor da saída da Grécia da zona do euro.

Varoufakis manteve um relacionamento particularmente amargo com o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble. Questionado sobre a saída de Varoufakis, um porta-voz do governo alemão disse a repórteres que as políticas são mais importante do que as pessoas.
O vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, disse em entrevista coletiva que não há um caminho fácil para o fim da crise e que o resultado da votação aumentava as diferenças entre a Grécia e os outros países da zona do euro.

Tsipras falou por telefone com o presidente francês, François Hollande, que tenta mediar um acordo antes de uma cúpula de emergência da zona do euro na terça-feira. Hollande terá um encontro ainda nesta segunda com a chanceler alemã, Angela Merkel, para buscar uma resposta conjunta das duas maiores economias do bloco.

*Com informações da ANSA e Reuters

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