‘Sacolão’ contra o terror

Pesquisadores ingleses testam, com sucesso, bolsão de tecido capaz de conter a explosão de uma bomba no compartimento de bagagens de aviões

Por O Dia

Rio - Um tecido ultrarresistente e bem flexível é a mais nova arma da aviação civil contra o terrorismo. Cientistas baseados na Universidade de Sheffield, na Inglaterra, comemoraram esta semana os resultados dos testes com o FlyBag, o ‘sacolão’ que poderá tornar as aeronaves mais leves, sem comprometer sua segurança em situações extremas.

Desde o atentado de Lockerbie, em 1988, pesquisadores tentam ‘blindar’ o compartimento de carga de aviões de carreira — preocupação reforçada após o 11 de Setembro. Os contêineres usados até então são muito pesados e trazem custos às companhias aéreas. A fibra desenvolvida pela equipe do engenheiro de explosivos Andy Tyas, além de ser evidentemente mais leve, também é mais barata.

A ‘supersacola antibomba’ é feita de uma mistura de quatro camadas diferentes de materiais, uma delas de Kevlar, a fibra sintética de alta resistência usada em coletes à prova de balas. Nos testes, cientistas fizeram explosões controladas no bagageiro de um Boeing 747 e de um Airbus 321. Primeiro, sem o ‘sacolão’: a explosão abriu um rombo nas fuselagens que poderia derrubar o avião ou matar todos em pleno voo. Já com o bolsão do tecido antibomba, as avarias foram mínimas, o que daria ao piloto tempo suficiente para pousar e salvar todos os passageiros.

“Ficamos muito felizes com os resultados dos testes”, afirmou Tyas à BBC. “Tínhamos testado o FlyBag em nosso laboratório em Buxton, mas apenas ao ar livre. Sabíamos que a sacola se expandiria, e a pergunta era o quanto essa expansão seria nociva à estrutura da aeronave. Seria ela mesma um transmissor de energia devastador? Pelo que estamos vendo, ela não está fazendo isso”, comentou. A primeira companhia aérea a demonstrar interesse pela tecnologia foi a cargueira italiana Meridiana. A empresa pretende certificar um tipo de FlyBag que poderia ser usado em bagageiros de jatos menores.


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