Libertadas 13 mulheres após 30 anos no cativeiro no Peru

Elas eram mantidas como escravas sexuais por guerrilheiros. Dos estupros, nasceram 26 crianças

Por O Dia

Peru - Quase 30 anos depois, chegou ao fim o martírio de 13 mulheres que eram mantidas em cativeiro como escravas sexuais por guerrilheiros do grupo extremista Sendero Luminoso no Peru. Elas foram resgatadas por um comando do Exército peruano na segunda-feira, junto com 26 crianças e adolescentes, a maioria nascida das violências sexuais. O cativeiro ficava em um acampamento em Satipo, a 450 km da capital Lima, região em estado de emergência permanente por ser uma das principais bases dos guerrilheiros.

As crianças e mulheres%2C resgatadas na segunda-feira%2C foram levadas para a base militar de Mazarami%2C onde ficarão nas próximas semanasEfe

Em entrevista ao Canal N, a ministra da Mulher e das Populações Vulneráveis, Marcela Huaita, disse que a maioria das mulheres foi sequestrada em uma ação contra um hospital psiquiátrico na década de 1980. As vítimas foram mantidas em cativeiro pelos extremistas entre 25 e 30 anos e, neste período, afirma o governo, elas sofreram violência permanente, incluindo escravidão e estupros. Os menores têm idades entre 1 e 14 anos.

No cativeiro, as mulheres trabalhavam na colheita e eram obrigadas a criar as crianças. Os jovens, quando maiores, começavam a ser doutrinados e recebiam treinamento militar para atuar com a guerrilha. As crianças e as mulheres foram levados à base militar de Mazamari, onde ficarão pelas próximas semanas. Devido aos laços criados no cativeiro, as autoridades não devem separá-los no primeiro momento. “Não devemos separá-los da noite para o dia deste entorno, das mulheres que foram referência, sua família”, disse Huaita.

Área é maior produtora de cocaína

Segundo o jornal peruano ‘El Comercio’, um comando especial do Exército conseguiu chegar ao cativeiro a partir da informação de um ex-prisioneiro do Sendero Luminoso. Em entrevista ao Canal N, o informante, que não foi identificado, disse que foi transferido para o acampamento de Satipo e ouviu e viu um grupo de mulheres e crianças chorando. O ex-prisioneiro foi transferido e escapou do cárcere em junho. Ele contou a história aos policiais ao chegar a uma delegacia de Pichari, a 480 km de Satipo. As autoridades seguiram a pista por mais de um mês. O acampamento onde estavam as mulheres sequestradas fica no vale dos rios Apurímac, Ene e Mantaro. A região também possui a maior área de produção de folha de coca do país.

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