Por bferreira

Rio - O que para a maioria é um grande esforço, para algumas pessoas não passa de um treino. São atletas que fazem coisas que parecem impossíveis e desafiam a resistência do corpo. James Lawrence é um desses. O americano, de 39 anos, completou dia 25 algo que parecia impossível: ele fez 50 ‘Ironman’ em 50 dias.

Ana Marcela Cunha nada de oito a dez horas por dia: ‘Comprometimento e dedicação’Reprodução Internet

A prova é um “supertriatlo”, composta por 4 km de natação, 42 km de corrida e 180 km de bicicleta. Ou seja, James percorreu, no total, 340 km a nado, 2.100 km a pé e pedalou outros 9.000 km. Somada, a distância (11.440km) é a maior do que a que separa Buenos Aires, na Argentina, e Londres, na Inglaterra.

O esporte, no entanto, está cheio de histórias de pessoas que testam seus limites. Diogo Sclebin, 33, é atleta do triatlo (formado por 1,5 km de natação, 40km de ciclismo e 10km), e representou o Brasil na Olimpíada de Londres, em 2012. Sua rotina de treinamento, a princípio, não parece complicada: são quatro horas diárias. Mas esse é o segredo para continuar avançando. “Passo o dia todo cansado. O descanso é fundamental para que o corpo se adeque e consiga fazer um estímulo mais forte”, explica. Para o atleta, o principal desafio é administrar a dor. “Perdemos para o outro porque não conseguimos sentir mais dor”, conta.

O cenário da provação para Ana Marcela Cunha são as águas: a nadadora compete na maratona aquática (10km). “As pessoas costumam dizer que cansam só de me ouvir dizer quantas piscinas nado por dia”, revela. São cerca de oito a dez horas diariamente. “Mas não reclamo, sem comprometimento e sem dedicação não há resultado”, garante. A atleta ganhou, na última terça, uma medalha de bronze no Mundial de Esportes Aquáticos de Kazan, na Rússia.

‘EXAGERO’

É preciso, no entanto, cuidado ao tentar bater essas marcar. “O grande desafio é fazer com que o ser humano continue quebrando seus limites, mas de forma saudável”, afirma Daniel Ramallo, ortopedista do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO).

No caso de James, o especialista afirma que é preciso analisar o caso de perto, mas acredita que houve um exagero. “Não é recomendado fazer uma carga tão grande em tão pouco tempo”, avalia.Os principais riscos vão lesões em ossos ou músculos e problemas cardiovasculares até distúrbios alimentares.

“É algo que não deve ser estimulado”, alerta Ricardo Contesini Francisco, cardiologista do Sport Check-Up do Hospital do Coração (HCOr).

Trabalho contínuo e progressivo para vencer barreiras

O feito de James Lawrence reforçou debates sobre se existe, afinal, alguma marca impossível de ser quebrada. “Não tenho dúvida que existe um limite”, garante Ricardo Contesini Francisco, cardiologista do Sport Check-Up do Hospital do Coração (HCOr).

Ricardo acredita que já ultrapassamos muitas barreiras, mas que estamos perto desse limite. “Em relação há 50 anos, estamos bem melhor. Temos como melhorar, mas acredito que não será uma evolução tão grande”, opina. Mesmo assim, sempre podem existir exceções, pontos fora da curva. “Mas esse número vai ser sempre menor”, ressalta.

Para João Paulo Costa, professor de Educação Física da Academia Evidence, os limites físicos da raça humana estão em evolução constante, adaptando-se à realidade. “O processo é lento, acontece desde o início da humanidade”, lembra. Mas as mudanças não abrangem da mesma forma toda a população mundial. “Depende muito da cultura e outros fatores”, destaca.

Para prevenir os riscos relacionados à ativida física, é preciso evitar o esforço máximo nos treinos. “Deve ser um trabalho contínuo e progressivo, mas que respeite os limites”, diz o especialista.

Reportagem do estagiário Daniel Gullino

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