Pela 70ª vez, Japão para e chora os mortos no holocausto nuclear

Em Hiroshima, 55 mil reverenciam as vítimas da bomba atômica, tema de série especial do DIA

Por O Dia

Japão - Cinquenta e cinco mil japoneses cumpriram ontem em Hiroshima um ritual pela 70ª vez — e o repetirão tantas outras forem necessárias — para que o mundo nunca mais veja o que seus moradores mais velhos testemunharam: a primeira detonação de uma bomba atômica sobre civis, tema de série especial que O DIA publicou esta semana. Nesse ataque, 160 mil pessoas morreram.

Mulher se emociona enquanto reza pelas vítimas do bombardeio atômico no Parque Memorial da Paz de Hiroshima%2C JapãoAP

Foi um dia de homenagens que começou quando no Brasil ainda era noite de quarta-feira. Às 8h15, hora local, milhares de pessoas se reuniram no Domo da Paz e respeitaram um minuto de silêncio — como é feito a cada 6 de agosto. À noite, centenas de barquinhos coloridos iluminados por velas foram jogados no Rio Ota, que também banha o Domo. Domingo é a vez de Nagasaki, onde 80 mil morreram.

O primeiro-ministro Shinzo Abe, que enfrenta baixos índices de popularidade, fez discurso protocolar. “Por sermos o único povo atacado por uma bomba atômica, temos a missão de obter um mundo sem armas nucleares. É nossa tarefa divulgar essa desumanidade, sem barreiras geracionais nem fronteiriças”, afirmou.

Abe, no entanto, vem dando sinais contraditórios. O premiê tem buscado aprovar no Parlamento leis que, na prática, liberam a atuação das Forças Armadas japonesas fora do território, “para auxiliar aliados”. Trata-se de uma reinterpretação da Constituição Pacifista imposta ao país após a guerra — que limitou o Exército japonês a uma autodefesa.

Voz dissonante foi a do prefeito de Hiroshima. “Para coexistir, devemos abolir o mal absoluto e a total desumanidade que as armas representam”, observou Kazumi Matsui, em discurso.

O Domo da Paz é um dos poucos prédios cuja estrutura resistiu à bomba. Ali funcionava o Palácio do Comércio, que só ficou de pé porque a explosão foi praticamente acima — o que o livrou do brutal deslocamento de ar, a 1.600 km/h, mas não da bola de fogo, que o incinerou, a mais de 6.000° C.


Confira o especial em cinco capítulos 'Os 70 anos da bomba de Hiroshima'

1. Oceano Pacífico em tempos de caos 
Infográfico: O mensageiro da morte


2. Conheça a história do Projeto Manhattan
Infográfico: A maior das armas


3. Plano de voo: seis horas com destino à morte
Infográfico: A bomba de Hiroshima


4. Dia 6 de agosto de 1945: a data que ainda não acabou no Japão
Infográfico: Cidade das sombras


5. Depois da guerra: questão nuclear no mundo atual

Infográfico: Um novo mundo



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