Protesto contra o lixo no Líbano deixa cem feridos

Esgotamento do aterro sanitário detonou onda de manifestações em Beirute, reprimidas pelas forças de segurança do governo interino. Povo exige renúncia

Por O Dia

Beirute - Na Primavera Árabe, nações do Norte da África e do Oriente Médio foram às ruas por liberdade e democracia. A poucas semanas de a Estação das Flores chegar ao Hemisfério Norte, libaneses reeditaram os protestos. Mas o que estava no ar era algo menos nobre: o cheiro de podre.

Governo ergueu muro para impedir a aproximação de manifestantesReuters

O colapso no principal lixão do Líbano detonou onda de manifestações contra o governo. O movimento #VocêFede reclama contra as montanhas de detritos largadas até pela capital, Beirute, mas se avolumou. No fim de semana, cem pessoas saíram feridas dos atos.

O Líbano está há 15 meses sem presidente, comandado por um governo interno, o que tem irritado a população. Nos protestos, curiosamente apartidários e sem motivos religiosos, muitos erguem frascos de xampu, com referência à limpeza, e gritam palavras de ordem contra o primeiro-ministro Tammam Salam. Muitos exigem sua renúncia.

Carro passa em um dos monturos que infestam Beirute%2C que produz 3%2C5 mil toneladas de lixo por diaReuters

O governo interino mandou erguer ontem um muro em volta da sede, isolando-a de Beirute e suas 3.500 toneladas de lixo produzidas diariamente. Por causa dos embates com as forças de seguranças, as lideranças do movimento deram uma trégua ontem, mas prometem continuar com os atos ao longo desta semana.


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