Por clarissa.sardenberg

Hungria - Centenas de refugiados voltaram a protestar nesta quarta-feira aos gritos de "Alemanha, Alemanha" perante a estação Keleti de Budapeste, onde a polícia húngara os impede de tomar um trem em direção à Europa Ocidental. Cerca de 100 policiais bloqueiam a entrada da estação.

A ira de muitos refugiados é visível depois que compraram bilhetes, alguns no valor de mais de 100 euros, para poder viajar à Alemanha e foram impedidos de embarcar. Nesta terça-feira, a polícia húngara impediu que os refugiados chegados de zonas de conflito do Oriente Médio embarcassem em um trem rumo à Áustria e Alemanha, algo que foi permitido nesta segunda.

Os arredores do terminal se transformaram em um improvisado campo de refugiados, sem quase apoio das autoridades, e onde famílias inteiras dormem sobre o solo, com meros papelões e cobertores, enquanto os mais sortudos contam com tendas.

Refugiados protestam do lado de fora da estação de trem de Budapeste%2C na Hungria Reuters

Drama para conseguir abrigo

Majda Nowss, uma professora de inglês de Aleppo, na Síria, que viaja com seu marido e três crianças de entre 10 e 4 anos, assegura que o formigamento contínuo de gente não permite descansar e lamenta que não deixem continuar com sua rota rumo à Dinamarca, onde afirma que tem um irmão advogado.

"Quase não podemos descansar, sempre há gente por todas partes, e também não podemos tomar banho. Por que não nos deixam seguir?", se lamentava.  Seus filhos Esam e Nadra acompanhavam as explicações de sua mãe com um cartaz escrito em inglês que dizia: "Por favor, nos entendam, deixam que continuemos".

Provocações neonazistas

Na noite desta terça, um grupo de cerca de 10 neonazistas húngaros tratava de provocar os migrantes amontoados lançando palavras de ordem fascistas e pedindo que fossem embora do país, mas os voluntários húngaros que ajudam os refugiados intermediaram a situação.

Até agora não foi dada nenhuma explicação clara sobre porque as autoridades húngaras permitiram o embarque de mais de 3,6 mil pessoas na segunda-feira com destino à Alemanha, uma medida que despertou as críticas do governo austríaco.

O Executivo húngaro sustenta que com a restrição só cumpre com seus compromissos com o espaço Schengen, como não permitir que pessoas de terceiros países sem o correspondente visto possam ter acesso a meios de transporte internacionais. A Hungria é o primeiro membro do espaço Schengen na rota dos Bálcãs, que começa na Grécia e pela qual mais de 150 mil pessoas chegaram ao país centro-europeu neste ano.

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