Estereótipo criado na infância afasta meninas de carreiras em ciências exatas

Essa mentalidade é comprovada cientificamente por pesquisadores do cérebro

Por O Dia

Rio - Isadora Henriques, de 24 anos, sempre foi 10 em Matemática. Formou-se em Engenharia Mecânica pela UFRJ, numa turma em que 90% eram rapazes. Fez intercâmbio na França, onde a realidade também não era muito diferente: a maioria dos colegas era do sexo masculino. A jovem, que hoje faz Mestrado em Engenharia, é um exemplo de mulheres que vencem o velho preconceito de que matemática é coisa de menino. Uma mentalidade comprovada cientificamente por pesquisadores do cérebro.

Na turma da engenheira Isadora%2C 90% dos formandos eram rapazes%3A preconceito se estende ao mercadoAcervo Pessoal

Estudos do psicólogo americano Andrew Meltzoff, Ph.D. em Oxford e especialista em desenvolvimento infantil, mostram que, por conta desse estereótipo cultural, criado já na infância na cabeça das crianças, muitas mulheres deixam de ocupar cargos nas áreas de engenharia e ciências da computação. “Se uma criança acredita que meninas não são boas em matemática, ela tende a tratar as garotas como se não gostassem de números, calculadoras, aritmética ou robôs, por exemplo”, disse Meltzoff à ‘BBC Brasil’, ao participar de recente conferência sobre estudos do cérebro na Academia Brasileira de Ciências.

Co-diretor do Instituto de Aprendizado e Ciências do Cérebro da Universidade de Washington (EUA), ele diz que a ideia de que garotos seriam melhores nas ciências naturais e as meninas, nas ciências humanas, influencia na baixa proporção de mulheres nos cursos universitários ligados à área e, principalmente, nas empresas de tecnologia.

“Não me importava com o que falavam, mas muita gente taxa assim. Algumas áreas da Engenharia (especialmene Mecânica, Elétrica e Eletrônica) são só para homem. Até pessoas formadas na área têm esse pensamento”, conta Isadora. O preconceito chega ao mercado de trabalho. “Quando fui procurar estágio, colocavam como pré-requisito ser do sexo masculino”, lembra ela, uma das cinco meninas de uma turma de 50 novos engenheiros.

Na Universidade de Washington, diz Meltzoff, 46% do departamento de Psicologia é de mulheres, mas no de Matemática, elas representam só 14%. Na Universidade de Stanford, apenas 3% são mulheres. “Em Harvard e no MIT, os valores são ainda menores”. No Brasil, cursos de engenharia de computação nas principais universidades tiveram 11% de mulheres aprovadas nos vestibulares de 2015.

Para ajudar a mudar essa mentalidade, a dica é manter um diálogo aberto com os filhos já na infância. “Os estereótipos podem ser difundidos na sociedade, mas não determinam nosso destino. Os pais podem ajudar nisso, para não deixar que eles limitem sonhos e visões de futuro”, afirma o especialista.

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