Ataque aéreo dos EUA atinge hospital e mata pelo menos 16 no Afeganistão

Militares americanos reconheceram bombardeio a unidade do Médicos sem Fronteiras no Afeganistão

Por O Dia

CABUL (Reuters) - Um ataque aéreo atingiu um hospital administrado pelo grupo da organização humanitária Médicos sem Fronteiras na cidade afegã de Kunduz neste sábado, matando ao menos 16 pessoas, no que os militares norte-americanos chamaram de possível "dano colateral" na batalha contra insurgentes do Taliban.

Membros da equipe do Médicos sem Fronteiras telefonaram para militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Cabul e Washington após o ataque, e bombas continuaram a cair perto da instalação médica por quase uma hora, disse um membro do grupo humanitário.

Ao menos 37 pessoas ficaram feridas e muitos pacientes e funcionários ainda estão desaparecidos, acrescentou.

Militares dos Estados Unidos prometeram investigar o incidente, que pode renovar preocupações sobre o uso de seu poder aéreo no conflito.

Forças do governo afegão apoiadas pelo poder aéreo dos EUA têm lutado para expulsar o Taliban da capital de província no norte desde que combatentes a capturaram seis dias atrás, na maior vitória de sua insurgência de quase 14 anos.

Um morador, Khodaidad, disse à Reuters que o Taliban estava usando as construções do hospital como abrigo durante o combate de sexta-feira.

"Eu podia ouvir os sons de tiroteio pesado, explosões e aviões durante toda a noite", acrescentou. "Houve diversas grandes explosões e parecia que o teto estava caindo sobre mim", acrescentou.

As forças dos EUA lançaram um ataque aéreo às 02h15 da madrugada, disse o porta-voz coronel Brian Tribus, em comunicado.

"O ataque pode ter resultado em dano colateral a um centro médico nas proximidades", acrescentou. "Este incidente está sob investigação."

No hospital bombardeado do grupo humanitário, uma parede desabou, espalhando fragmentos de vidro e molduras de portas de madeira, e três quartos ficaram em chamas, disse Saad Mukhtar, diretor de saúde pública em Kunduz.

"Fumaça pressa espessa podia ser vista subindo de alguns cômodos... O combate ainda está ocorrendo, então tivemos que sair".

O chefe de direitos humanos da Organização das Nações Unidas, Zeid Ra'ad al-Hussein, disse que o ataque foi "trágico, indesculpável e possivelmente até criminal".

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