Por clarissa.sardenberg
Publicado 06/10/2015 16:28 | Atualizado 06/10/2015 16:32

Estados Unidos - O comandante das forças dos Estados Unidos no Afeganistão, general John Campbell, reconheceu nesta terça-feira que o ataque contra um hospital da organização Médicos Sem Fronteiras em Kundus, no Afeganistão, foi "um erro". A organização acusa os dois países de crime de guerra e exige que uma investigação independente seja feita. 

"A decisão de conduzir os ataques foi tomada internamente no comando norte-americano. O hospital foi atingido por um erro. Não colocaríamos jamais na mira propositalmente uma estrutura hospitalar", afirmou Campbell em um pronunciamento nesta terça no Capitólio.

MSF diz que declarações dos EUA e Afeganistão indicam crime de guerra

MSF denunciou em rede social bombardeio em seu hospital no Afeganistão Reprodução Twitter MSF

A ação contra o local ocorreu no último sábado e causou 22 vítimas fatais - entre as quais, três crianças e 12 profissionais da ONG -, além de deixar dezenas de feridos. Todos os atendidos que sobreviveram foram levados a hospitais de outras entidades que atuam na região. Já o MSF anunciou o fim das atividades do grupo em Kundus, por não ter como garantir a segurança de quem trabalha no local.

O bombardeio deixou a região sem nenhum centro sanitário, e 300 mil pessoas não contam mais com atendimento médico especializado, denunciou a ONU nesta terça-feira.

Mais cedo, a presidente internacional da entidade, Joanne Liu, emitiu uma nota em que acusa tanto os EUA como o Afeganistão de "crime de guerra". "Comunicados do governo afegão informaram que forças do Talibã estavam usando o hospital para atirar contra as forças aliadas.

Esses relatos implicam que forças afegãs e norte-americanas, que estavam trabalhando juntas, decidiram derrubar um hospital totalmente funcional, o que pode ser julgado como crime de guerra", escreveu Liu. A cidade de Kundus caiu nas mãos do grupo extremista Talibã no dia 28 de setembro e, um dia depois, começou a ser bombardeada pelos norte-americanos para "eliminar uma ameaça específica". A área foi a primeira do Afeganistão a voltar para as mãos dos terroristas desde que os EUA derrubaram o grupo do poder, em 2001.

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