Crianças com lábio leporino vão ganhar um novo sorriso

Mutirão levará cirurgias gratuitas para corrigir problema a 10 hospitais do país

Por O Dia

Rio - O Dia das Crianças trará um novo sorriso para os pequenos que têm lábio leporino. A ONG americana Smile Train começa hoje uma campanha nacional de cirurgias de fissura lábio palatina. Dez hospitais em diferentes cidades do Brasil atuarão em conjunto para diminuir a fila de espera por essa intervenção. A programação termina sexta-feira no Hospital Nossa Senhora do Loretto, na Ilha do Governador, único que realiza a cirurgia no Rio.

Lucas%2C de 8 anos%2C corrigiu a fenda e superou o preconceito na escolaDivulgação

Parceria com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a iniciativa pretende ainda conscientizar a população para o problema, já que a cada 700 nascimentos, uma criança tem a condição, conhecida como lábio leporino, má formação do lábio superior. A fissura surge quando há o desenvolvimento incompleto do lábio e/ou do palato, enquanto o bebê está se formando.

Os dez centros de tratamento especializados no tratamento receberão a visita de um cirurgião plástico experiente, que também vai treinar a equipe local. Os organizadores esperam beneficiar cerca de 200 crianças, que já foram selecionadas. Na triagem, é verificado se elas estão aptas a fazer a cirurgia. Caso alguma não possa operar —uma simples gripe por impedir um bebê de passar pelo procedimento — é escolhida outra criança que esteja na fila de espera.

A cirurgia é realizada em três etapas. A primeira ocorre aos três meses, para a correção do lábio e do nariz. Com um ano de idade, a segunda etapa é para o fechamento. Com 15 anos, o paciente faz a reconstrução do osso. “Isso ajuda a evitar a deficiência de respiração e a voz anasalada”, explica o cirurgião Nivaldo Alonso. Os pacientes devem ser acompanhados por cirurgiões plásticos, fonoaudiólogos e ortodontistas.

Excluído e vítima de bullying

Desde 1999, a Smile Train já fez mais 20 mil cirurgias no Brasil, mas a cada ano, nascem 4.300 crianças com fissura. A condição também pode atingir o céu da boca e afetar a fala, a nutrição e a respiração, levando o paciente a um isolamento social. Com diagnóstico rápido, a cirurgia que leva apenas 45 minutos e assistência médica adequada, é possível reverter o quadro e dar a criança a oportunidade de ter uma vida sem limitações.

A aceitação das pessoas é a parte mais difícil para uma criança com lábio leporino.Na escola, muitas são excluídas e sofrem bullying. Lucas Oliveira, de 8 anos, conta que passou por esta situação. “Eu passei os primeiros anos da minha vida muito tímido e triste”, revela. Ele foi operado gratuitamente e a cura física e emocional foi ficando visível. Lucas começou a cantar, na musicoterapia e em casa. A terapia foi um sucesso e a confiança nele mesmo cresceu. Hoje, além de lutador de jiu- jitsu campeão e ator em novelas, Lucas é um exemplo de superação.

Reportagem da estagiária Carolina Moura

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