Campanha #somostodosgigantes, mostra que tamanho não é obstáculo

Evento amanhã na Quinta da Boa Vista, às 11h, terá várias atividades reunindo anãos e seus familiares

Por O Dia

Rio - Sempre com um sorriso no rosto, Luiza Vitória, de 3 anos, brinca, anda e canta, apesar da traqueostomia, que lhe ajuda a respirar. Com 74 centímetros, sua história faz justiça ao seu nome. A pequena guerreira nasceu com displasia diastrófica, uma das mais raras — e mais complicadas — causas do nanismo, uma deficiência de crescimento. Hoje, sua mãe Gisele Rocha, de 28 anos, se orgulha: “Ela é um exemplo de superação. Mesmo pequenininha, ela faz tudo o que as outras crianças fazem e recebemos muito carinho de todos. O tamanho dela não importa, o seu carisma fala mais alto”, explica Gisele.

Segundo Dafne Horovitz, médica geneticista do Instituto Fernandes Figueira, são mais de 200 causas para o nanismo, a maioria delas genética. “Dependendo da origem, podem haver complicações respiratórias (caso de Luiza Vitória) mas, se não apresentarem complicações clínicas, as pessoas com nanismo vivem normalmente”, explica.

Luiza Vitória%2C que sofre de displasia atrófica%3A vida de menina de 3 anosAcervo Pessoal

Desde que Luiza Vitória nasceu, Gisele se tornou uma militante da causa e, junto com a presidente da Associação de Anões do Rio, a advogada Kenia Maria, entrou com um projeto de lei para instituir o 25 de outubro como o Dia Nacional de Combate ao Preconceito à Pessoa com Nanismo. A data, escolhida em homenagem a um dos primeiros atores com nanismo — o americano Billy Barty —, já é comemorada em 28 países.

O projeto foi aprovado em audiência pública no último dia 30 no Senado, mas continua em trâmite no Congresso. O sucesso da audiência motivou outra mãe, Juliana Yamin, a organizar a campanha #SomosTodosGigantes. “Em três semanas, o vídeo no Facebook já tem mais de 300 mil visualizações. Essa repercursão se dá graças à participação dos pais, fundamental para o seu sucesso”, conta.

Um dos grandes apoiadores da campanha é o ator e humorista Leonardo Reis, conhecido como ‘Gigante Léo’. “Vejo muito preconceito ainda no meio artístico. Só nos oferecem papéis cômicos, temos que atuar em outros gêneros”, lamenta. Ele lembra que, nos Estados Unidos, o ator Peter Dinklage superou essa barreira ao fazer sucesso como um dos principais personagens da série dramática ‘Game of Thrones’. Outra iniciativa que rompe com o preconceito foi o ‘Dwarf Fashion Show’, umdesfile de moda só de anãs, que aconteceu em Paris, no início do mês.

“Registrar o 28 de outubro como Dia Nacional do Combate ao Preconceito à Pessoa com Nanismo é mais um importante passo para quebrarmos esse paradigma”, diz Léo. No Rio, a comemoração amanhã vai ser na Quinta da Boa Vista, às 11h, com várias atividades reunindo anãos e seus familiares.

Reportagem da estagiária Marina Brandão

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