Presidente francês pede 'controle sistemático' em fronteiras da Europa

Hollande ressaltou que França já venceu adversários muito maiores do que os 'covardes' do Estado Islâmico

Por O Dia

França - O presidente François Hollande pediu no parlamento da França nesta segunda-feira que as fronteiras internas e externas da União Europeia sejam controladas de forma "coordenada e sistemática". Hollande afirmou ainda que a França permanecerá em estado de emergência por três meses. Ele garantiu que a França está em guerra contra covardes e não em uma "guerra de civilizações, pois esses assassinos não representam nenhuma delas".

"Nossa democracia triunfou antes contra adversários muito maiores que esses covardes", garantiu Hollande em referência ao Estado Islâmico. Ele ressaltou que nestas circunstâncias é melhor um pacto de segurança a um pacto de estabilidade para União Europeia e falou sobre mudanças na Constituição. 

Hollande pediu controle de fronteiras e mudança na constituição%2C em discurso no Congresso francês EFE

O presidente quer que pessoas com dupla nacionalidade tenham sua cidadania francesa banida em caso de terrorismo ou sejam proibidas de entrar no país se representarem risco à segurança. É a primeira vez em mais de seis anos que Hollande se dirige às duas casa do parlamento, Senado e Assembléia Nacional. Discursos desse tipo só ocorrem por motivos especiais e a série de ataques da última sexta-feira em Paris, que deixou 129 mortos, definitivamente é um deles. Hollande terminou seu discurso ressaltando que o terrorismo vai ser erradicado.

Nesta segunda-feira, cúpula do G20, na Turquia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que as organizações terroristas mais perigosas no momento são aquelas que alegam falar pelos "verdadeiros muçulmanos". Ele ressaltou que os refugiados que são obrigados a deixar a Síria são os mais afetados pelo terrorismo. Os dois presidentes devem se encontrar em breve para discutir uma força conjunta de ataques aos extremistas no Oriente Médio.

Desdobramentos dos atentados em Paris 

O cidadão belga Abdelhamid Abaaoud, de 27 anos, que está atualmente na Síria é suspeito de ser o mentor dos ataques da última sexta-feira em Paris, de acordo com uma fonte próxima à investigação francesa. Segundo o jornal "Liberatión". Ele teria ligações com Sid Ahmed Ghlam, um estudante francês acusado de assassinato e terrorismo. Abaaoud nasceu em Molenbeek, subúrbio de Bruxelas, lar de outros membros de uma célula de militantes islâmicos que supostamente realizou o ataque.

Belga Abdelhamid Abaaoud%2C de 27 anos%2C que está atualmente na Síria é suspeito de ser mentor dos ataques em ParisReuters

Cinco de sete suspeitos detidos na Bélgica durante este fim de semana por ligações com os ataques de Paris foram liberados, informaram autoridades nesta segunda-feira. "Cinco pessoas foram liberadas, os juízes ainda não decidiram a respeito das outras duas", afirmou a porta-voz da procuradoria. Entre os suspeitos liberados está Mohammed Abdeslam, irmão do homem-bomba Ibrahim Abdeslam, que participou do ataque na casa de shows Bataclan.

Um novo vídeo divulgado pelo Estado Islâmico ameaça países que participarem de bombardearem a Síria, informou a agência "Reuters". Segundo a organização, aqueles que fizerem bombardeios aéreos na Síria irão sofrer o mesmo destino da França e faz uma ameça especial a Washington, nos Estados Unidos.

O coletivo hacker Anonymous, por sua vez, declarou estar em guerra com o Estado Islâmico. O grupo declarou nesta segunda-feira que se prepara para lançar uma onda de ciberataques ao Estado Islâmico. Um homem usando a conhecida máscara de Guy Fawkes afirmou que os homens que reivindicaram a autoria dos ataques em Paris são "vermes" e serão caçados. "Eles não podem continuar impunes", diz o homem no vídeo, em francês.

Nesta segunda-feira, a Turquia informou que já havia notificado a França duas vezes sobre o homem-bomba Omar Ismail Mostefai, mas que o país só respodeu seus avisos após os ataques em Paris. Dois outros terroristas foram identificados: Ahmad Al Mohammad e Samy Amimour, este último teria entrado na Europa como refugiado, na Grécia.

Junto com outros dois homens, Salah Abdeslam foi parado pela polícia belga próximo à fronteira, mas não foi detido porque seu nome não estava na lista de procurados.

O premiê da França, Manuel Valls, já havia alertado nesta segunda-feira para a possibilidade de ataques futuros ao país.O Ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, informou que 104 pessoas estão sob prisão domiciliar e 168 buscas foram feitas na noite deste domingo na França, acrescentando que 23 pessoas foram presas.

*Com informações da Reuters 


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