Por clarissa.sardenberg
Publicado 24/11/2015 11:25 | Atualizado 24/11/2015 11:35

Síria - Um dos dois pilotos do bombardeiro Su-24 da Força Aérea da Rússia que foi derrubado nesta terça-feira pela Turquia morreu, enquanto o outro foi capturado por militantes turcomanos na Síria, um dos grupos de oposição ao regime de Bashar al Assad, informou a emissora "CNNTÜRK" citando fontes locais. Os dois pilotos conseguiram se ejetar, o que foi mostrado em vídeos divulgados pela imprensa turca, mas um deles teria morrido. Já o outro acabou sendo capturado pelos turcomanos, disseram milicianos sírios à emissora turca.

Pouco depois da queda da aeronave, dois helicópteros militares russos se aproximaram da região para procurar os pilotos, mas os milicianos turcomanos não deram permissão para que eles pousassem, relataram as fontes à "CNNTÜRK".

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Os dois pilotos de avião russo conseguiram se ejetarReprodução Internet

Cerca de 25 minutos depois do incidente, começou um intenso bombardeio russo contra a região. Na área, a 40 quilômetros ao nordeste da cidade portuária de Latakia, onde está uma base aérea russa e muito próxima da fronteira com a província turca de Hatay, ocorrem desde ontem combates entre o regime sírio e as milícias turcomanas, que contam com o apoio do governo da Turquia.

Na manhã desta terça-feira, os turcomanos conquistaram três colinas, enquanto seguem sendo registrados confrontos em uma quarta, afirmou a "CNNTÜRK". O governo da Turquia garante que o avião russo, que caiu em território sírio perto da divisa entre os dois países, foi abatido porque violou seu espaço aéreo e ignorou às diversas advertências.

Segundo um comunicado divulgado pela cúpula militar da Turquia, a aeronave teria invadido o espaço aéreo do país por volta das 9h20 locais (5h20 em Brasília) em Yaylagad, na província de Hatay, apesar de dez advertências enviadas em um período de cinco minutos.

A Rússia confirmou que o Su-24 foi derrubado, mas nega as acusações do governo turco e afirma que em nenhum momento o avião violou o espaço aéreo. Especialistas consultados pela "CNNTÜRK" acreditam que o bombardeiro russo cruzou uma "protuberância" do território turco de apenas três quilômetros no extremo sul de Hatay, próximo de onde estão sendo registrados os combates entre turcomanos e as tropas sírias.

Os turcomanos, uma minoria síria que fala turco, recebem apoio da Turquia, enquanto os aviões russos respaldam o regime de Assad, o que acrescenta complicações diplomáticas ao incidente. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, chegaria a Ancara na noite de hoje para se reunir amanhã com autoridades turcas. No entanto, não está claro se a visita será mantida após o ocorrido. O primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, ordenou que o Ministério das Relações Exteriores do país leve o caso à Otan e à ONU, informou a agência "Anadolu".

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