Por clarissa.sardenberg
Publicado 27/11/2015 11:08 | Atualizado 27/11/2015 11:52

Quênia - O papa Francisco pediu nesta sexta-feira que os governos do mundo todo ponham fim à "injustiça atroz" sofrida pelas populações dos bairros mais pobres ao redor do globo, onde as pessoas carecem de serviços básicos como água corrente, e que trabalhem por um modelo de cidade que promova a integração.

Fotos: Multidão se reúne para ver Papa Francisco no Quênia 

Papa Francisco defendeu os pobres do Quênia e pediu que autoridades detenham atrocidades em favelas EFE

O pontífice emitiu essa mensagem na pequena paróquia do bairro de Kangemi, um dos mais pobres de Nairóbi, a capital do Quênia, onde foi recebido com muitas demonstrações de afeto por milhares de pessoas, sob o atento olhar de um grande dispositivo militar.

No Quênia, cerca de 60% da população vive nos distritos conhecidos como "slums" (favelas, em inglês), e sobrevive com menos de um dólar por dia. O maior desses bairros, Kibera, abriga mais de 1 milhão de pessoas no centro da capital queniana.

A marginalização sofrida por esses bairros são "feridas provocadas por minorias que concentram o poder e esbanjam egoísmo, enquanto cada vez mais gente tem que buscar refúgio em periferias abandonadas, poluídas e descartadas", lamentou Francisco.

Papa Francisco encerrou visita ao Quênia nesta sexta-feiraEFE

A situação é ainda mais grave quando existe uma "injusta distribuição do território", que em muitos casos leva ao pagamento de aluguéis abusivos por imóveis em condições "nada adequadas", denunciou o papa. Dentro da total falta de infraestruturas existente nos bairros mais carentes, o papa considerou especialmente grave a falta de água potável, "um direito humano básico que determina a sobrevivência das pessoas", disse.

"Negar água a uma família, sob qualquer pretexto burocrático, é uma grande injustiça, sobretudo quando se lucra com essa necessidade", criticou o pontífice. A indiferença das autoridades se agrava quando a violência se generaliza e as organizações criminosas, "a serviço de interesses econômicos e políticos, utilizam crianças e jovens como bucha de canhão para seus negócios cheios de sangue" frisou Francisco.

Essas realidades, segundo o papa argentino, "não são uma combinação casual de problemas isolados", mas uma consequência de "novas formas de colonialismo que querem transformar os países africanos em peças de um mecanismo gigantesco". Como solução para os bairros marginalizados, o papa propôs desenvolver a ideia de uma "integração urbana respeitosa", descartando o paternalismo e a erradicação. "Necessitamos de cidades integradas e para todos. Necessitamos superar a mera proclamação de direitos que na prática não são respeitados, concretizar ações que melhorem o habitat popular e planejar novas urbanizações de qualidade para abrigar as futuras gerações. Não é filantropia, é uma obrigação", concluiu Francisco.

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