Por gabriela.mattos
Publicado 02/12/2015 19:54 | Atualizado 03/12/2015 13:41

Estados Unidos - Os americanos foram atingidos por mais uma tragédia, com invasão de uma clínica comunitária na Califórnia por atiradores que dispararam contra dezenas de pessoas, deixando 14 mortos e 17 feridos, segundo balanço parcial da polícia. De acordo com o FBI, há suspeita de atentado terrorista, mas outras motivações para a chacina estão sendo investigadas. Na caçada aos criminosos, a polícia informou ter matado um suspeito, até o fim da noite.

A polícia americana cercou todo o quarteirão onde fica a clínica em San Bernardino e revistou várias pessoas em coletivos e automóveis. Os atiradores conseguiram escaparEfe

O ataque ocorreu por volta das 11 horas locais (17h, de Brasília). Funcionários faziam reunião de fim de ano no centro comunitário que atende pessoas com necessidade especiais, o Inland Regional Center, em San Bernardino, quando houve a invasão de atiradores. Segundo testemunhas, os autores seriam três homens que estariam usando uniforme militar de camuflagem e armas pesadas. Eles teriam fugido em um SUV preto.

À TV KCBS, a policial Vicki Cervantes confirmou que há “várias vítimas e que o número de mortos pode aumentar”. Ainda de acordo com a policial, os atiradores estariam usando roupas “em estilo militar”.

O centro comunitário atende cerca de 30 mil pessoas carentes e com distúrbios mentais, incluindo crianças. O estabelecimento conta com 670 funcionários. San Bernardino tem pouco mais de 200 mil habitantes e fica 96 km a leste de Los Angeles.

A polícia foi acionada por volta de 11h no horário local (17h em Brasília). Ambulâncias, bombeiros e equipes da Swat e do FBI foram mobilizados. Hospitais nas áreas próximas foram colocados em atenção para receber as vítimas.

A Casa Branca informou que o presidente dos EUA, Barack Obama, foi notificado imediatamente sobre o incidente e lamentou as mortes. “Uma coisa que sabemos é que temos um padrão de fuzilamentos em massa neste país que não tem paralelo em qualquer lugar do mundo. Existem alguns passos que poderíamos tomar. Não eliminaríamos todos os incidentes, mas aconteceriam em menor escala”, afirmou Obama, referindo-se à sua luta para que o Congresso americano aprove leis rigorosas de controle de armas no país.

Um novo pesadelo num país que cultua posse de armas

Tendo motivação terrorista ou sendo mais uma ação isolada, o ataque à clínica em San Bernardino entra para uma triste estatística americana e expõe um paradoxo macabro: o país que se arvora como a polícia do mundo não consegue deter a violência em seus próprios domínios provocada por armas de fogo de seus cidadãos.

Essa cultura armamentista traz sempre à tona o velho pesadelo americano. Só no ano passado, segundo organizações não governamentais, 8. 124 pessoas morreram vítimas de ataques com armas em todo o país.

Na última sexta-feira, um homem armado invadiu uma clínica da organização Planned Parenthood em Colorado Springs, no Colorado, e deixou três mortos.

Em um país onde 90% da população possuem algum tipo de arma de fogo, a indústria armamentista ganha fôlego para manter forte lobby no Congresso contra as restrições e o controle. Apesar do sofrimento, a política armamentista sobrevive aos ataques de ensandecidos e às mortes de milhares de inocentes. (Roberto Pimentel)

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