Ministério da Saúde muda critério para diagnóstico de microcefalia

Órgão do governo federal segue OMS e reduz em um centímetro a medida do crânio de bebês para diagnóstico

Por O Dia

Rio - A presidenta Dilma Roussef anunciou nesta sexta-feira uma “operação de guerra” para combate ao Aedes aegipty, transmissor do Zika Vírus, da dengue e da febre chicungunya. “Nós estamos mobilizando o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, para nos ajudar nessa ação de prevenção ao vírus Zika”, declarou Dilma, que hoje lança em Recife (PE) o plano nacional de combate ao mosquito. Também na sexta, o Ministério da Saúde anunciou a mudança no critério de diagnóstico dos casos de microcefalia, anomalia que está associada ao Zika Vírus. A medição do crânio de bebês recém-nascidos foi reduzida de 33 para 32 centímetros.

Segundo a pasta, a medida segue recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera 32 centímetros a medida padrão mínima para a cabeça de recém- nascidos não prematuros. O perímetro cefálico, medida da cabeça feita logo acima dos olhos, varia conforme a idade gestacional do bebê.

A pernambucana Érika Roque%2C com o filho%2C Erik%2C nascido com microcefaliaReprodução / BBC

Segundo o ministério, para a população brasileira, 33 centímetros é a medida considerada normal. Para ter o diagnóstico confirmado, a criança precisa passar por outros exames. Com a mudança, parte dos 1.248 casos considerados suspeitos de microcefalia no país podem ser descartados. O número atualizado de 2015 deve ser divulgado na próxima terça-feira.

Dilma anunciou ainda que o Brasil vai investir em tecnologia para o desenvolvimento de vacina contra o Zika Vírus. “Nós vamos usar de todos os elementos, até da tecnologia, para procurar vacinas que sejam comercializáveis, para erradicação (do Zika Vírus)”, disse Dilma. Para a presidenta, a questão precisa ser tratada com muita seriedade também pela população. “Espero falar mais forte à consciência das pessoas para que não deixem haver água parada”, afirmou, referindo-se ao Aedes aegypti, que se desenvolve em água limpa e parada. “Onde é água para preservação, ela tem de ser coberta. Onde não é, não se pode ter pneus com água, não se pode ter vasos com água, se põe areia”.

Pernambuco, que registrou 646 casos de microcefalia, 211 deles confirmados até dia 28, passou a acompanhar as gestantes com suspeita de Zika. A medida deverá ser estendida para outros estados, para tornar mais ágil a identificação e o acompanhamento dos bebês com microcefalia.

Em Pernambuco, as mulheres que apresentarem sintomas de Zika — manchas pelo corpo, coceira e febre — são encaminhadas para um serviço de referência. Elas devem fazer exames e, na última fase da gestação, a partir da 32ª semana, são submetidas a uma ultrasonografia.“Os exames de pré-natal não indicavam nada suspeito. Tudo normal”, disse à ‘BBC Brasil’ a promotora de vendas Érika Roque, de 30 anos, mãe de Erik, nascido com microcefalia. A pernambucana conta que, durante a gravidez, não percebeu nenhum sintoma de Zika.

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