Por clarissa.sardenberg
Publicado 14/12/2015 12:10 | Atualizado 14/12/2015 12:14

Chile - Um ex-militar ligou para uma emissora de rádio no Chile para confessar crimes cometidos na época da ditadura militar no país (1973—1990). Guillermo Reyes Rammsy foi preso na última sexta-feira em Valparaiso, a 116 km de Santiago, onde trabalhava como taxista. Rammsy confessou que os militares atiravam e dinamitavam corpos e que no início chorava, mas logo passou a "curtir" a matança.

No programa El Chacotero Sentimental (O piadista sentimental), da rádio "Coração", ele se identificou como "Alberto" e disse que ia comentar um romance frustrado, mas logo deu início ao relato que ninguém esperava.

Pessoas seguram cartazes de vítimas da ditadura de Pinochet no ChileReuters

"Atirávamos e depois os dinamitávamos, os corpos se desintegravam, não sobrou nada. Chorei na primeira vez, mas o tenente dizia: 'Bom soldado, bom soldado, soldado valente'. Logo, 'pum, pum' outra vez. Na segunda vez eu gostei, curti", confessou o homem.

O apresentador do programa, Roberto Artiagoitía, conhecido como El Rumpy, contou ao jornal "Las Últimas Noticias" que o relato foi "arrepiante e de muita frieza". "Soube quão má pode ser uma pessoa. Matei mais de dez pessoas, minha especialidade era ser franco-atirador", disse o ex-militar.

Rammsy foi denunciado por dois homicídios registrados no centro de presos políticos de Pisagua, no norte do Chile. Ele está em prisão domiciliar. Segundo o juiz responsável pelo caso, Mario Carroza, a colaboração do ex-militar será considerada no julgamento.

A ditadura Augusto Pinochet fez mais de 40 mil vítimas no Chile, entre eles 3.225 mortos ou desaparecidos, segundo o último relatório, divulgado em 2011. Grupos de vítimas e direitos humanos estimam que a cifra tenha atingido cerca de 100 mil.


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