Por marlos.mendes
Publicado 15/12/2015 00:44 | Atualizado 15/12/2015 04:24

Rio - O combate ao Aedes aegypti está sendo feito em todas as frentes. Na guerra contra a zika, a dengue e a chikungunya, a Secretaria Municipal de Saúde começou nestar segunda-feira mutirões para atacar o inseto. As ações são semanais em uma região diferente com o objetivo — além de eliminar possíveis focos do mosquito — de mobilizar a população. Soldados do Exército também estão empenhados em enfrentar a epidemia.

“O trabalho dos agentes de vigilância em saúde acontece o ano inteiro, mas eles sozinhos não vencem a luta. Precisam da ajuda maciça da população”, alerta a superintendente de Vigilância em Saúde, Cristina Lemos.
Uma alternativa ao que as pessoas podem fazer em casa é a dedetização contra mosquitos. Segundo o biólogo André Caldas, responsável técnico da empresa Pest Controll, a demanda pelo serviço cresceu 50% só nos primeiros 14 dias desse mês. “O medo do surto de zika fez com que a procura aumentasse. Se antes o serviço era quase exclusivo para prédios e lugares amplos, agora os próprios moradores querem dedetizar os apartamentos, independentemente do prédio”, explica.

Especialistas explicam que fumacê não combate larvas do mosquito e que só é eficaz em áreas onde há elevada concentração de insetosErnesto Carriço / Agência O Dia

Apesar disso, a dedetização pode não ser a melhor saída, segundo o infectologista da UFRJ Alberto Chebabo. O médico afirma que, além de poder desencadear reações alérgicas e não ser indicada para pessoas com problemas respiratórios, a ação sozinha não é suficiente para impedir o retorno dos mosquitos. “É uma medida de emergência, que deve ser tomada em locais de epidemia — onde a presença dos insetos é intensa. Isoladamente, não é uma boa alternativa de controle”, explica.

Isso porque a dedetização é um processo que atinge apenas os mosquitos adultos, permitindo o nascimento de novos. Para Chebabo, a alternativa mais eficaz é “sempre a prevenção”, a partir da eliminação de focos e criadouros do mosquito. 

TODAS AS ARMAS

DEDETIZAÇÃO
Existem duas formas de dedetizar um ambiente contra mosquitos: o fumacê e a atomização elétrica. O fumacê é recomendado para controle de epidemias e deve ser feito junto com larvicidas e cuidados para combater os focos do mosquito. De R$ 140 a R$1.000 — o preço varia de acordo com a área coberta.

ATOMIZAÇÃO
O produto químico é diluído em água a uma concentração específica para atuar em ambientes fechados. As gotas caem rapidamente e aderem às superfícies, eliminando os mosquitos que ali encostam. Pode durar até 15 dias.

TELA MOSQUITEIRA
Uma das principais alternativas para evitar que o mosquito entre no local.

REPELENTE DE TOMADA
O mais eficaz inseticida para residências. Tem ação prolongada — age enquanto estiver ligado. É preciso cuidado para não deixá-lo o dia inteiro, pois contém toxinas que, em excesso, são prejudiciais à saúde.

SPRAYS
De rápida duração, os sprays são aconselhados para borrifar roupas e calçados.

Bebês terão três anos de tratamento
O Ministério da Saúde lançou ontem um protocolo nacional para o tratamento de infecções causadas pelo Zika vírus e que orienta o atendimento desde o pré-natal até o desenvolvimento da criança com microcefalia em todo o Brasil.

O novo documento prevê o acompanhamento de todos os bebês com microcefalia desde o nascimento até os 3 anos de idade. Serão oferecidos planos gratuitos de reabilitação para estimular o potencial de desenvolvimento das crianças acometidas pela malformação congênita.
O planejamento prevê a mobilização de especialistas e profissionais de saúde para a identificação precoce e os cuidados da gestante e do bebê.

No documento, o Ministério também reforça a importância dos métodos contraceptivos em momentos como o atual, de epidemia do Zika vírus.

Cuidado com o prazo dos repelentes
Os dois principais tipos de repelentes são os à base de DEET (OFF) e de icaridina. Todos são indicados, mas preste atenção no período de efeito para evitar intoxicação. A icaridina tem a duração de até 12 horas, enquanto o OFF deve ser reaplicado a cada três.
Além deles, o Ministério da Saúde anunciou que o Exército vai produzir repelentes para gestantes.

Reportagem de Marina Brandão

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