Por bferreira
Rio - Um erro da tripulação de dois barcos militares norte-americanos no Golfo Pérsico por pouco não deixou Barack Obama em maus lençóis. Enquanto o presidente, em seu último discurso do Estado da União no Congresso, terça-feira à noite, enaltecia o Irã, soldados eram rendidos pela Guarda Revolucionária porque entraram em águas iranianas. “O Irã recuou no seu programa nuclear e, agora, está se livrando das reservas de urânio. O mundo evitou assim uma nova guerra”, falou Obama.
Obama elogiou o Irã na CâmaraEfe

Em águas persas, se o incidente nem de longe teve gás para detonar um conflito — mas fez barulho suficiente para gerar mal-estar diplomático —, em terras americanas o imbróglio foi prato cheio para a oposição. “Esse acordo com o Irã é terrível”, disparou Donald Trump.

Ainda não se sabe por que as duas embarcações de pequeno porte pararam em águas territoriais do Irã. Levantada inicialmente, a hipótese de falha mecânica foi descartada pelo Pentágono mais tarde. Os dois navios de guerra patrulhavam a rota entre o Kuwait e Bahrein quando, perto da Ilha de Farsi, acabaram detidos por botes dos Guardiães da Revolução. Dez militares foram rendidos pelos soldados, e as imagens correram o mundo.
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DESCULPAS POLÊMICAS
Até o desfecho do episódio gerou polêmica. Os Estados Unidos negaram ter pedido perdão. “Não havia nada pelo que desculpar-se”, garantiu o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby. Segundo as autoridades iranianas, a retenção se resolveu com um pedido de desculpas dos EUA e a promessa de não voltar a cometer erros deste tipo. Em comunicado, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, expressou gratidão “às autoridades iranianas por sua cooperação na rápida resolução do assunto”.
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No seu oitavo e último discurso do Estado da União, em que tradicionalmente presidentes abrem os trabalhos do Legislativo, Barack Obama deu uma alfinetada em Donald Trump, que lidera as primárias do Partido Republicano para as eleições de novembro. “Quando políticos insultam muçulmanos... isso não nos deixa mais seguros”, disse, recebendo aplausos da plateia. “É errado. Nos diminui aos olhos do mundo. Torna mais difícil alcançar nossas metas”. “O discurso do Estado da União é realmente chato, lento, letárgico, muito difícil de ver!”, criticou o republicano, pelo Twitter.
Obama disse ser ficção descrever o país como estando em declínio econômico, mas reconheceu que a Al Qaeda e Estado Islâmico representam ameaça direta.