Por clarissa.sardenberg

Rio - O vírus Zika, transmitido por meio do mosquito Aedes aegypti e que é suspeito de causar danos aos cérebros de bebês no Brasil, deve se espalhar por todos os países das Américas, com a exceção de Canadá e Chile, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira. A ligeira disseminação da doença, que rapidamente atingiu 21 países e territórios da região desde maio de 2015, deve-se à baixa imunidade da população e à prevalência do mosquito Aedes aegypti, hospedeiro do vírus, disse a OMS em um comunicado.

Zika deve se espalhar por países das Américas, com exceção de Canadá e Chile Fiocruz imagens

O Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos EUA informou que, entre 2015 e 2016, 12 casos de Zika foram confirmados no país. Em todos eles, os pacientes foram contaminados durante viagens a outros países.

Nos Estados Unidos, três pessoas apresentaram resultado positivo para o vírus em Nova York. A Inglaterra também confirmou neste sábado três casos de infecção pelo Zika em britânicos que retornaram de viagens à América do Sul. Já na Catalunha, região autônoma da Espanha, há duas mulheres infectadas.

O Ministério da Saúde brasileiro confirmou a relação entre o vírus Zika e a microcefalia, má formação na qual os bebês nascem com cérebros menores do que o normal. O Brasil registrou 3.893 casos suspeitos de microcefalia, divulgou a OMS na sexta-feira, mais de 30 vezes o que foi registrado em qualquer ano desde 2010.

As evidências sobre outros modos de transmissão são limitadas. “O Zika foi isolado no sêmen humano e um caso de possível transmissão sexual de pessoa para pessoa foi descrito. No entanto, mais evidências são necessárias para confirmar se o contágio sexual é um meio de transmissão do Zika”, disse a OMS.

Atualmente, não há evidências de que o Zika esteja sendo transmitido aos bebês por meio do leite materno, de acordo com a OMS, que aconselhas as mulheres grávidas que planejam ir para as áreas de incidência do Zika a consultarem seus médicos antes da viagem e após o retorno.

O Zika tem ocorrido historicamente em partes da África, do Sudoeste Asiático e em ilhas do Pacífico. Mas trata-se de uma doença com sintomas moderados e há poucos dados científicos sobre o vírus, razão pela qual não está claro por que ele pode estar causando os casos de microcefalia no Brasil, acrescentou a OMS.


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