‘Barbie da diversidade’ vem em quatro tamanhos

Na maior recauchutada da história da boneca, Mattel amplia opções de cor de pele e de olhos para alavancar vendas

Por O Dia

Rio - Símbolo da beleza americana, a Barbie agora vem em P, M e G. Ou melhor: tradicional, alta, ‘curvilínea’ e ‘petite’. Desde quinta-feira as bonecas mais famosas do mundo oferecem a meninas quatro opções de corpo, sete tons de pele, 22 cores de olhos e 24 estilos de cabelo. Para uma geração de mulheres que cresceu brincando com Barbies e sonhando em se encaixar em um perfil magro, alto e loiro, a palavra da moda é diversidade. Trata-se da maior mexida na marca em 57 anos de história. Pegando carona, a Lego anunciou o primeiro bonequinho de cadeira de rodas.

A ‘Coleção Fashionistas’ teve tratamento de segredo de Estado: a empreitada recebeu o nome de ‘Project Dawn’, ou ‘Amanhecer’, para que ninguém suspeitasse das intenções da Mattel. No ano passado a companhia já tinha adicionado novos tons de pele e cabelos diferentes.

Barbie tem nova variação de corpos e quebra padrões estéticos Divulgação

Segundo Robert Best, diretor sênior de Design de Produtos da Mattel, as mudanças aumentarão a identificação de meninas com a linha: “Isso é importante porque não existe um padrão de como é um corpo bonito.”

As novas formas da Barbie têm seu lado empresarial. Há quatro anos as vendas da boneca vêm caindo vertiginosamente (3% em 2012, 6% em 2013 e 16% no ano seguinte). Muito por culpa da Disney, cuja Rainha Elsa, do megassucesso ‘Frozen — Uma aventura congelante’ —, destronou a loura icônica cinquentenária. E a preferência pela cantante de ‘Let it go’ (ou ‘Livre estou’) se manteve mesmo após dois anos do lançamento do longa, cujos direitos de marca foram negociados com a Hasbro. A fabricante já comercializa a linha das princesas da terra do Mickey.

Não foi uma mudança brusca. Ao contrário: vários grupos de discussão, inclusive com crianças — três delas eram as filhas de Evelyn Mazzocco, corresponsável pela recauchutagem —, ajudaram a moldar a nova Barbie. Os nomes das modelos foram debatidos à exaustão para que não causassem transtornos. Foi criado um 0800 nos EUA para reclamações acerca da nova coleção e se discute como lojas de departamentos vão passar a vender as bonecas — já que, agora, não há apenas diversos tamanhos de roupa, mas também de sapatos.

Para poder brincar com identidade

Renata Morais, criadora da marca infantil ‘Lulu e Lili’, voltada para crianças negras, afirma que a nova linha de bonecas ajudará crianças afrodescendentes a se aceitar da forma que são ao não encaixá-las em padrões inatingíveis. “As bonecas ajudarão a empoderar as crianças, foram coisas que eu não tive”, relembra Renata. “Só tive bonecas loiras e magras e cresci achando que eu era a errada”, revela.

Para a cineasta Yasmin Thainá, que produziu e dirigiu o documentário ‘Kbela’, sobre aceitação identitária através do cabelo, o lançamento deveria ter ocorrido há décadas. “Demorou. Há muito tempo as pessoas lutam por um mundo menos desigual”, diz ela, que questiona o preço a ser cobrado no Brasil. “Tem Barbies que custam R$ 50, enquanto outras saem por R$ 300, preço inacessível para muitas famílias.”



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