Mecânico suspeito de laços com EI teria plantado bomba em avião russo

Grupo terrorista usou funcionários de aeroporto e companhia aérea para operação no Egito. Queda de Airbus matou 224

Por O Dia

Egito - Um mecânico da companhia aérea EgyptAir cujo primo se uniu ao Estado Islâmico é suspeito de plantar uma bomba no avião russo que caiu na Península do Sinai, no Egito, em outubro de 2015, matando as 224 pessoas a bordo. Apesar de o Egito negar que algum suspeito tenha sido preso, fontes que acompanha as investigações afirmaram à "Reuters" que o mecânico chegou a ser detido junto com dois policiais e um funcionário do setor de bagagens do aeroporto Sharm el-Sheikh, que teriam o ajudado a colocar a bomba no avião.

Todas as 224 pessoas a bordo de avião russo que sobrevoava Península do Sinai morreramReuters

"Após saber que um de seus membros tinha um parente trabalhando no aeroporto, o Estado Islâmico entregou a bomba, em uma bagagem de mão, para essa pessoa. Ele foi instruído a não fazer perguntas e apenas colocar a bomba na aeronave", disse uma das fontes. O primo do mecânico se juntou ao grupo há um ano e seis meses, na Síria.

Segundo a investigação, dois policiais são suspeitos de ajudarem a operação fazendo "vista grossa" nos dispositivos de segurança do aeroporto. "Porém há a possibilidade de que eles apenas não estivessem fazendo seu trabalho direito", afirmou.

Egito e Rússia vêm discordando sobre a causa da tragédia. Enquanto o chefe da comissão de investigação egípcia, Ayman al Muqadem, garante que não há indícios de que um atentado derrubou a aeronave. De acordo com autoridades egípcias, todos os funcionários do Sharm el-Sheikh foram investigados e nenhuma evidência foi encontrada contra eles.

Estado Islâmico divulgou em revista online foto de bomba que teria derrubado avião russo no Sinai Reprodução Internet

Já a Rússia afirma categoricamente o contrário, dizendo que a bomba tenha sido levada para dentro do Airbus A321. "A única coisa que posso lembrar é que nossos especialistas dos serviços secretos chegaram à conclusão de que foi um atentado terrorista", disse Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, aos meios de comunicação locais.

No início de novembro, uma revista do Estado Islâmico divulgou uma foto do que seria a bomba caseira que derrubou o avião. A foto mostra uma lata de refrigerante Schweppes Gold e o que parece ser um detonador e um interruptor num fundo azul. O grupo publicou ainda uma imagem do que afirma serem passaportes que pertenciam a russos mortos "obtidos pelos combatentes da guerra santa". Não foi possível verificar imediatamente a autenticidade das fotos divulgadas online na revista Dabiq.

Após a tragédia, o presidente russo, Vladimir Putin, prometeu caçar os responsáveis pela explosão e intensificou os ataques aéreos contra militantes islâmicos na Síria, em parceria com o governo Assad. "Iremos encontrá-los em qualquer lugar do planeta e puni-los", afirmou Putin em uma reunião no Kremlin, transmitida pela televisão nesta terça-feira. O serviço de segurança FSB chegou a anunciar uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações sobre os autores da ação.

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