Argentina faz protesto contra as demissões

Onda de rescisões contratuais vem ocorrendo desde a chegada de Mauricio Macri à presidência do país. Os principais cortes são de funcionários públicos

Por O Dia

Buenos Aires - ‘Não somos nhoques”. Pode parecer estranho, mas essa foi a frase berrada na sexta por milhares de pessoas em pontos diferentes de Buenos Aires, durante um protesto contra as demissões que vêm ocorrendo no quadro de funcionários do Estado, desde a chegada de Mauricio Macri à presidência do país.

‘Ñoquis’ (nhoques) é a maneira como os funcionários estatais “fantasmas” costumam ser chamados — o apelido vem pela prática de só aparecer no serviço no dia do pagamento, 29, mesma data em que é tradição no país comer o prato.

Além das camisetas, cartazes e gritos de protesto (frases como “os únicos nhoques que existem são os que se comem”), os manifestantes levaram até panelões com nhoque para a Praça de Maio e o Obelisco de Buenos Aires. Até mesmo uma espécie de ‘nhoque gigante’ foi levado até o Centro Cultural Kirchner, inaugurado no governo da ex-presidente do país. Lá, já foi anunciado que cerca de 80% dos funcionários não terão seu contrato renovado.

Argentinos levaram cartazes%2C camisetas e até um panelão gigante com nhoque para marchar nas ruasEfe

Os protestos vêm ocorrendo desde quando o presidente Macri prometeu que revisaria os contratos dos empregados admitidos durante o governo de Cristina Kirchner. Em alguns casos, decidiu não renovar contratos que finalizariam dia 31 de dezembro. Manifestantes reclamaram que em setores como o Ministério da Cultura, aconteceram mais de 500 demissões.

O Ministério da Justiça da Argentina anunciou o cancelamento do contrato de 486 funcionários públicos que entraram para o quadro em 2015. Gabriela Michetti, vice-presidente do país, também decidiu não renovar os contratos de cerca de 2 mil funcionários do senado que venceram no fim de 2015. Cinquenta trabalhadores da Casa Rosada também foram demitidos, assim como mais 50 funcionários do Banco Central e 140 da Fabricaciones Militares (empresa estatal de produção de armamentos).

Conta de luz

Na última sexta-feira, houve muita reclamação por causa do aumento da conta de luz na Argentina, que pode chegar a 500% — diferente do previsto com relação ao corte do subsídio de energia no país, que calculava o aumento em até 350%.

O Ministro da Energia, Juan José Aranguren, chegou a afirmar que um usuário que pagava 25 pesos pela conta de luz (cerca de R$ 7,5) deverá passar para 150 pesos (por volta de R$ 45). Só amanhã a faixa final de preços e de consumo será divulgada pelo governo argentino. O presidente Mauricio Macri estima poupar cerca de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões) em 2016 com a medida.

Com agências internacionais

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