São Gonçalo volta a cobrar barcas para o Rio

Há verbas disponíveis, mas Ministério das Cidades afirma não ter recebido projeto

Por O Dia

Rio - Promessa antiga do governo do estado, a instalação de uma linha de barcas que ligue a cidade de São Gonçalo à Praça 15 volta a ser pleiteada pela população gonçalense. Uma audiência pública já foi convocada para agosto e a pauta está entre as prioridades da prefeitura da cidade. O vereador Armando Marins (PL) está na liderança do movimento e garante que, por contrato, a CCR Barcas deveria instalar um terminal hidroviário e oferecer o serviço.

A CCR Barcas%2C segundo Marins%2C deveria construir o terminal e prestar o serviçoAndré Mourão / Agência O Dia

Falta de dinheiro não é aparentemente o problema. O governo federal tem recursos disponíveis para mobilidade urbana em todo o país desde 2011 e, na última segunda-feira, a presidenta Dilma Rousseff disse que ampliará essas verbas para R$ 50 bilhões. O Ministério das Cidades, responsável pelos investimentos, informou, no entanto, que não recebeu projeto algum sobre transporte aquaviário na Baía de Guanabara.

“Isso já vinha desde o tempo em que a concessão era da empresa Barcas SA. A CCR Barcas assumiu o serviço e também não fez nada. Fica parecendo que o assunto caiu no esquecimento, ninguém fala nada sobre isso. O governo do estado não se posiciona e os empresários estão quietos. O problema é que eles não fazem e não deixam outra empresa fazer. Por que não abrem outra licitação? ”, disse Marins.

Procurados pelo DIA, a Secretaria Estadual de Transportes e a CCR Barcas não comentaram o assunto.

Trânsito na Ponte Rio-Niterói seria melhor

A população de São Gonçalo está estimada em 1,5 milhão de habitantes.Além dos passageiros que se deslocam até Niterói para usar o transporte hidroviário, o projeto da nova estação das barcas, prevista para o bairro de Gradim, diminuiria também o número de pessoas usando ônibus para o Rio, reduzindo assim engarrafamentos na ponte. O especialista em Transportes da UFF Gilberto Gomes Gonçalves avalia conta que a concepção é lógica e inteligente.

“É muito mais barato investir em transporte aquaviário. A demanda de São Gonçalo é conhecida. Em todos os países do mundo que têm baía protegida esse modal é explorado. Aqui no Rio temos muito potencial, mas usamos mal”, contou. Ele lembrou que seria necessário apenas investimentos na dragagem, construção do terminal e compra das barcas.

A professora de Engenharia de Transportes da Coppe (UFRJ) Milena Bodmer reafirma que há uma demanda considerável para aproveitar melhor a Baía de Guanabara. Principalmente quando o Comperj começar a operar. “A presença de estaleiros é sinal de que fazer dragagem não é tão custoso. Acredito que a operação de transporte aquaviário seria rentável e ainda poderia subsidiar outros trajetos como Rio-Magé”. A especialista ainda destacou outros trajetos possíveis como Charitas-Botafogo ou Marina da Glória e ligação com a Barra da Tijuca. “Os modais precisam se completar”.

Já no limite, Arariboia teria fluxo menor

Cerca de 40 mil moradores de São Gonçalo e Itaboraí pegam as barcas de Niterói para o Rio diariamente, segundo o vereador Armando Marins (PL). E este número ainda deve aumentar depois que o BRT e o metrô forem instalados na região. “Se hoje o serviço já não vai bem, imagina só quando o fluxo aumentar”, disse o parlamentar gonçalense.

As reclamações de superlotação na Estação Arariboia, no Centro de Niterói, têm sido constantes. Para reverter este quadro, até 2015, está prevista a chegada de nove novas embarcações. Todas compradas pelo governo do estado, orçadas em R$ 80 milhões. São sete de 2 mil lugares, que estão sendo construídas, e duas para 500 passageiros. Está prevista ainda a reforma das estações.

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